sábado, 3 de outubro de 2026

Tito 3 - Análise Teológica Exegética e Contemporânea

 


Deus nos salva por sua misericórdia e nos transforma em um povo dedicado ao bem. Essa é a ideia central de Tito 3, que reúne doutrina da salvação, responsabilidade pública e cuidado com a comunhão da igreja.

Este estudo percorre o capítulo em seu contexto, examina termos gregos relevantes e desenvolve aplicações para a igreja contemporânea. A compreensão da graça deve produzir humildade, mansidão e serviço. O capítulo responde a três perguntas: como devemos viver, por que devemos viver assim e o que precisamos cultivar e evitar como igreja?

A análise acompanha o texto grego do Textus Receptus, edição Stephanus de 1550. As aplicações contemporâneas são desdobramentos pastorais do texto. As fontes de consulta estão relacionadas ao final.

1 O lugar de Tito 3 na carta

Paulo deixou Tito em Creta para organizar as comunidades e estabelecer presbíteros qualificados (Tt 1.5). A carta articula liderança, ensino e conduta: a verdade conhecida deve tornar-se visível na vida.

Capítulo

Ênfase

Relação entre fé e vida

Tito 1

Liderança e defesa da verdade

A profissão de fé precisa corresponder às obras.

Tito 2

Ensino e formação da comunidade

A graça educa um povo para a santidade.

Tito 3

Testemunho público e serviço

A misericórdia recebida produz mansidão e boas obras.

 

No capítulo 3, as boas obras aparecem como disposição para servir (v. 1), compromisso dos que creem (v. 8) e aprendizado para atender necessidades reais (v. 14). No centro dessas exortações está a afirmação de que elas não são a origem da salvação (v. 5).

As obras não compram a misericórdia de Deus; expressam a transformação daqueles que a receberam.

2 A fé cristã na vida pública

Tito 3.1–2. Paulo começa ordenando a Tito que lembre a comunidade de suas responsabilidades diante das autoridades e de todas as pessoas.

O verbo ὑπομίμνῃσκε — hypomimnēske significa “lembra”, “traze à memória”. A instrução pastoral inclui recordar verdades já ensinadas. Conhecer um princípio não significa praticá-lo de maneira constante.

O texto apresenta uma sequência de atitudes: sujeição às autoridades, obediência, prontidão para boas obras, cuidado com a fala, disposição pacífica, moderação e mansidão.

Submissão e responsabilidade cívica

A submissão às autoridades envolve reconhecer a responsabilidade da ordem pública. Contudo, à luz de Atos 5.29, essa submissão não é absoluta: a obediência a Deus permanece superior quando uma autoridade exige desobediência ao Senhor.

Aplicado à vida contemporânea, isso exige responsabilidade cívica, honestidade e respeito, inclusive quando existe discordância. O cristão pode denunciar injustiças e cobrar autoridades sem fazer da mentira ou da hostilidade seus instrumentos.

A fala e a mansidão

A expressão “não difamar ninguém” emprega βλασφημεῖν — blasphēmein. Nesse contexto, refere-se à fala que injuria ou desonra pessoas. O alcance de “ninguém” impede que a comunidade crie uma categoria de pessoas contra as quais toda agressão verbal seria aceitável.

Isso alcança conversas, púlpitos e redes sociais. Compartilhar acusações sem verificação, humilhar adversários ou tratar pessoas com desprezo contradiz a ética ensinada no texto.

Paulo também usa ἀμάχους — amachous, indicando pessoas que não são briguentas, e ἐπιεικεῖς — epieikeis, associado à gentileza e à moderação. A comunidade deve demonstrar πραΰτης — prautēs, mansidão, para com todos. A mansidão permite falar com firmeza sem transformar a correção em violência.

Aplicação pastoral: a maneira como defendemos uma verdade também precisa ser submetida à verdade que defendemos.

3 A memória da nossa condição anterior

Tito 3.3. O versículo começa com γάρ — gar, “pois”, ligando a exortação à sua razão: devemos tratar as pessoas com mansidão porque também vivíamos em desobediência e engano.

Paulo inclui a si mesmo: “também nós”. Essa identificação impede a formação de uma comunidade que observa o mundo como se jamais tivesse necessitado de misericórdia.

Expressão

Dimensão do problema

Insensatos

Falta de discernimento espiritual e moral

Desobedientes

Resistência à vontade de Deus

Enganados

Vida conduzida pelo erro

Escravizados a desejos e prazeres

Vontade submetida a senhores destrutivos

Malícia e inveja

Relações corrompidas

Ódio mútuo

Ruptura da convivência

 

A linguagem da escravidão é especialmente importante. O ser humano pode imaginar-se livre enquanto é governado por desejos que não consegue ordenar.

Isso não significa que toda pessoa manifeste todos esses males com a mesma intensidade. A descrição apresenta a condição da qual a comunidade foi resgatada, destacando a profundidade de sua necessidade.

O argumento pastoral é direto: a lembrança do pecado deve produzir humildade, e a lembrança da misericórdia deve orientar o tratamento dispensado ao próximo. Quem se lembra de como foi alcançado pela graça tem razões para corrigir com lágrimas, paciência e esperança.

4 A salvação pela misericórdia de Deus

Tito 3.4–7. A mudança decisiva aparece com “mas, quando”. O relato passa da condição humana para a intervenção divina. O verbo principal dessa unidade é ἔσωσεν — esōsen: “salvou”. Deus é o agente da ação. As demais expressões esclarecem sua manifestação, fundamento, realização e propósito.

A bondade de Deus se manifestou

No versículo 4, dois termos descrevem essa manifestação: χρηστότης — chrēstotēs, bondade ou benignidade; e φιλανθρωπία — philanthrōpia, amor pela humanidade ou benevolência.

O verbo ἐπεφάνη — epephanē significa “apareceu”, “manifestou-se”. A bondade divina tornou-se manifesta na ação salvadora relacionada a Jesus Cristo, explicitamente mencionado no versículo 6.

Há uma ligação com Tito 2.11: a graça que apareceu e educa o povo de Deus corresponde à bondade que se manifestou para salvá-lo. O texto desloca a atenção do mérito humano para o caráter de Deus. A salvação encontra sua explicação na misericórdia daquele que salva.

A salvação não procede das nossas obras

No versículo 5, Paulo exclui até mesmo as obras realizadas “em justiça” como fundamento da salvação. Ele não está apenas condenando práticas religiosas hipócritas. Está negando que nossas realizações possam constituir a base pela qual Deus nos salva.

A expressão “segundo a sua misericórdia” aponta para a compaixão divina como fundamento dessa intervenção. Essa afirmação confronta a tentativa de transformar serviço, generosidade, conhecimento bíblico ou frequência aos cultos em crédito diante de Deus.

Também oferece descanso ao pecador arrependido: sua esperança não depende da construção de um currículo espiritual capaz de compensar a culpa. Entretanto, o próprio capítulo impede que essa verdade seja usada para justificar uma vida estéril. O versículo 8 exige dedicação ao bem daqueles que creem.

O lavar regenerador e a renovação do Espírito

A expressão grega é λουτροῦ παλιγγενεσίας καὶ ἀνακαινώσεως πνεύματος ἁγίου — loutrou palingenesias kai anakainōseōs pneumatos hagiou. Em tradução explicativa: “lavar de regeneração e renovação do Espírito Santo”.

Termo

Sentido relevante

λουτρόν — loutron

Banho, lavagem

παλιγγενεσία — palingenesia

Regeneração, novo nascimento

ἀνακαίνωσις — anakainōsis

Renovação

πνεῦμα ἅγιον — pneuma hagion

Espírito Santo

 

A linguagem indica uma ação profunda de purificação e renovação. O problema humano requer mais que ajustes de comportamento: requer a intervenção vivificadora de Deus.

A relação desse “lavar” com o batismo recebe diferentes interpretações cristãs. Algumas tradições entendem o batismo como meio sacramental da regeneração. Em uma leitura batista, a expressão aponta fundamentalmente para a purificação e a nova vida operadas pelo Espírito, das quais o batismo é sinal público.

É possível reconhecer uma referência batismal sem concluir que a água, por si mesma, produza regeneração. O texto atribui a salvação à misericórdia divina e a renovação ao Espírito.

Também convém evitar uma separação rígida entre os dois substantivos: o versículo aproxima regeneração e renovação na descrição da ação salvadora; ele não apresenta, sozinho, uma cronologia completa das etapas da salvação.

Como conexão bíblica, Ezequiel 36.25–27 reúne purificação, novo coração e presença do Espírito. Essa aproximação ilumina o tema, embora Tito não introduza uma citação explícita daquela passagem.

O Espírito foi derramado abundantemente

No versículo 6, Deus derramou o Espírito “ricamente” sobre os salvos, por meio de Jesus Cristo. A passagem possui uma clara estrutura trinitária: Deus manifesta sua misericórdia e salva; Jesus Cristo é o mediador por meio de quem o Espírito é derramado; o Espírito Santo opera a renovação.

O título “Salvador” é aplicado a Deus no versículo 4 e a Jesus Cristo no versículo 6. A salvação é apresentada como ação divina na qual o Filho e o Espírito estão inseparavelmente envolvidos.

O derramamento abundante ressalta a generosidade de Deus. O versículo trata da dádiva do Espírito na salvação, sem estabelecer uma experiência extraordinária específica como requisito para reconhecer todo cristão.

Justificados e feitos herdeiros

No versículo 7, δικαιωθέντες — dikaiōthentes significa “tendo sido justificados”. A justificação diz respeito à aceitação do pecador diante de Deus, pela graça. É útil distinguir os aspectos da salvação sem separá-los.

Aspecto

Ênfase

Regeneração

Deus comunica nova vida.

Renovação

O Espírito transforma a existência.

Justificação

Deus declara justo e aceita o pecador pela graça.

Herança

Os salvos participam da esperança da vida eterna.

 

A expressão introduzida por ἵνα — hina, “para que”, apresenta o propósito: tornar-nos herdeiros segundo a esperança da vida eterna. O capítulo não promete uma existência sem sofrimento. Oferece uma identidade e um futuro firmados na graça de Deus.

5 A doutrina da graça deve produzir serviço

Tito 3.8. Depois de expor a salvação, Paulo pede que Tito insista nessas verdades para que os que creem em Deus se dediquem às boas obras.

A expressão πιστὸς ὁ λόγος — pistos ho logos, “fiel é a palavra”, destaca a confiabilidade da afirmação. No contexto, aponta naturalmente para o conteúdo salvador que acaba de ser apresentado. O propósito da insistência doutrinária é prático. Ensinar a graça deve formar pessoas cuidadosas em fazer o bem.

A construção καλῶν ἔργων προΐστασθαι — kalōn ergōn proistasthai expressa envolvimento responsável e dedicação às boas obras. Não se trata de uma disposição vaga, mas de compromisso efetivo.

A relação entre os versículos 5 e 8 é decisiva: as obras são excluídas como fundamento da salvação e exigidas como expressão da vida de quem crê.

Na igreja local, isso pode aparecer no cuidado de enfermos, no auxílio a famílias, na integridade profissional, no acolhimento e no sustento da missão. Uma comunidade pode conhecer a terminologia da graça e ainda precisar aprender sua prática. Tito exige ambas.

6 Discernimento diante das controvérsias

Tito 3.9. Paulo manda evitar questões insensatas, genealogias, contendas e disputas acerca da lei. À luz de Tito 1.10–14, é plausível relacionar essas controvérsias a especulações religiosas presentes entre os opositores. Contudo, o capítulo não fornece detalhes suficientes para reconstruir com segurança todas as ideias envolvidas.

A razão para evitá-las é sua esterilidade: são inúteis e vãs. Existe um contraste literário importante. No versículo 8, as boas obras são úteis às pessoas; no versículo 9, as controvérsias são inúteis. O critério inclui o efeito do ensino sobre a vida da comunidade.

Isso não condena o estudo teológico, a investigação cuidadosa ou a defesa da fé. Tito 1.9 exige capacidade para ensinar e refutar o erro. A aplicação contemporânea é aprender a discernir quando uma discussão esclarece a verdade e quando apenas alimenta vaidade, hostilidade ou especulação.

Perguntas úteis são: essa conversa ajuda a compreender a Escritura? Produz edificação? Existe disposição real para ouvir? Está consumindo a energia necessária para cuidar de pessoas?

7 A pessoa facciosa e os limites pastorais

Tito 3.10–11. A expressão αἱρετικὸν ἄνθρωπον — hairetikon anthrōpon descreve, neste contexto, a pessoa que promove facções ou divisões. O termo não deve ser reduzido automaticamente ao sentido técnico posterior de alguém condenado por uma formulação doutrinária específica.

O foco recai sobre uma conduta divisiva persistente. A instrução prevê uma primeira e uma segunda advertência antes do afastamento. A sequência demonstra paciência e firmeza. A comunidade deve oferecer correção, mas não pode permitir que a obstinação de uma pessoa governe indefinidamente sua vida.

O verbo παραιτοῦ — paraitou comunica a ideia de recusar ou afastar-se. O trecho estabelece um limite pastoral, embora não detalhe todo o procedimento de disciplina eclesiástica.

Essa orientação exige cuidado na aplicação. Uma pessoa que faz perguntas, discorda respeitosamente ou denuncia um erro não é, por isso, facciosa. A passagem não autoriza líderes a protegerem sua autoridade contra toda contestação.

O versículo 11 descreve o indivíduo como αὐτοκατάκριτος — autokatakritos, “condenado por si mesmo”. Sua persistência no pecado, apesar das advertências, evidencia sua responsabilidade. Isso não exige que ele reconheça verbalmente estar errado.

Aplicação pastoral: a igreja deve corrigir com paciência, examinar os fatos com justiça e estabelecer limites quando a conduta divisiva persiste.

8 A teologia chega às necessidades concretas

Tito 3.12–15. As instruções finais mencionam viagens, colaboradores e provisões. Esses detalhes mostram como o ensino do capítulo se realiza na prática.

Paulo organiza a continuidade do trabalho com Ártemas ou Tíquico, solicita a presença de Tito em Nicópolis e orienta que Zenas e Apolo sejam auxiliados para que nada lhes falte. O versículo 14 retoma a dedicação às boas obras e acrescenta a necessidade de aprender a atender necessidades reais.

Esse aprendizado é parte do discipulado. Generosidade, hospitalidade e responsabilidade não devem ser presumidas apenas porque alguém conhece a doutrina. O contexto imediato envolve o auxílio aos trabalhadores mencionados, mas o princípio orienta a igreja a desenvolver uma vida frutífera de serviço.

A conclusão com a graça reforça o fundamento de toda a carta: a comunidade depende de Deus para viver aquilo que foi chamada a praticar.

9 Implicações para a igreja contemporânea

Desafio

Orientação de Tito 3

Prática correspondente

Hostilidade na vida pública

Mansidão para com todos

Discordar sem difamar ou desumanizar

Superioridade religiosa

Recordar a própria necessidade de misericórdia

Corrigir com humildade

Confiança em mérito espiritual

Salvação segundo a misericórdia de Deus

Descansar em Cristo e servir com gratidão

Fé sem serviço

Dedicação às boas obras

Organizar cuidado e auxílio concretos

Discussões intermináveis

Evitar controvérsias estéreis

Priorizar ensino que edifica

Divisão persistente

Advertência e limites

Exercer disciplina justa e responsável

Indiferença às necessidades

Aprender a fazer o bem

Sustentar a missão e socorrer pessoas

 

Roteiro para a pregação

1.       Vivam com mansidão diante de todos — Tito 3.1–2.

2.       Lembrem-se da condição da qual foram resgatados — Tito 3.3.

3.       Firmem a esperança na misericórdia de Deus — Tito 3.4–7.

4.       Dediquem-se ao bem e protejam a comunhão — Tito 3.8–15.

Tito 3 conduz a igreja a examinar tanto sua confiança quanto sua conduta: estamos descansando na misericórdia de Deus? Essa misericórdia está moldando nossa fala, nossas relações e nosso serviço?

A graça que nos alcançou deve tornar-se visível no bem que fazemos e na mansidão com que tratamos as pessoas.

segunda-feira, 23 de novembro de 2020

A PLENITUDE DOS TEMPOS


 Gálatas 4:4 – mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei.

 

Neste texto o apóstolo Paulo aponta para o tempo na história da humanidade onde Deus enviou ao mundo seu unigênito Filho para resgate de Sua propriedade, a Igreja. Este compreende ao primeiro advento de Jesus Cristo ao mundo, onde, o próprio Deus se fez carne e cumpriria todas as profecias preditas pelos servos do Senhor no Antigo Testamento acerca do Messias, do salvador do povo de Deus.

No entanto, para que este tempo pudesse chegar, o próprio Deus em sua providência havia preparado o mundo e os povos para que Seu Filho pudesse encarnar. A plenitude dos tempos diz respeito ao tempo exato, ao momento certo e único em toda história em que, Jesus Cristo, o Emanuel, o próprio Deus, pudesse se fazer carne e habitar entre nós. O Senhor Jesus veio a este mundo quando tudo já estava pronto, preparado, no lugar certo e na hora exata para que Deus continuasse o cumprimento de Seu eterno e soberano propósito em Sua criação.

Assim, cumpre-nos observar alguns fatores que contribuíram para vinda do messias, bem como para o estabelecimento e a expansão do cristianismo.

1.   Fator geográfico – O local escolhido por Deus em toda a terra para o nascimento de Jesus Cristo, certamente foi um local divinamente selecionado em razão de sua situação. A terra que Deus prometera a Seu povo desde o antigo testamento era o local ideal para receber o Messias prometido. A região da palestina onde estava Israel era como o centro do mundo naquela época. Nas encostas do mediterrâneo, onde povos se utilizavam das navegações para viagens e comércio, Israel praticamente fazia fronteira com a Ásia, com o norte da África e ao oriente com a Mesopotâmia, bem como, era passagem para muitos que chegariam ao continente Europeu. Certamente este fator contribuiu extraordinariamente para o crescimento e expansão do cristianismo, tendo em vista o contato que milhares de povos que passassem por Israel teriam com cristãos naquele lugar.

2.     Fator Intelectual Grego – Outro fator importante tanto para a vinda do Messias quanto para expansão do cristianismo foi o ambiente intelectual criado pela mente grega. Com as conquistas de Alexandre o grande, estabelecendo o império grego a partir do Sec. IV a.C. O objetivo maior deste império era o de helenizar o mundo, ou seja, tornar o mundo da época uma grande Grécia. Neste intento, os gregos espalharam ao mundo da época suas ideias, costumes, cultura e principalmente seu idioma, o grego, o qual se tornou a língua mundial e facilitou a comunicação de vários povos da época. Grandes pensadores e filósofos gregos também trouxeram suas ideias sobre um mundo vindouro e perfeito depois da morte, ideias sobre a imortalidade da alma, pensamentos estes que permeiam o cristianismo e que, devido aos gregos, já era comum entre povos daquela época mesmo antes do advento de Cristo. Certamente tanto os pensamentos quanto o idioma grego prepararam o povo para chegada do cristianismo bem como para expansão do mesmo. A maior parte do Novo testamento, foi escrito originalmente no idioma grego em razão da maior acessibilidade aos povos da época.

3.     Fator político Romano – Este fator certamente contribuiu imensamente para expansão do cristianismo. Estabelecido após o império grego, seu sistema organizacional político trouxe maior unidade e controle em todo império, promovendo maior ordem e paz em toda sua extensão. Com isto, pessoas tinham liberdade de viajar e se locomoverem nas terras que faziam parte do império. Os cristãos do I séc., incluindo o maior missionário da época, o apóstolo Paulo, certamente usufruíram destes benefícios promovidos pelo sistema político romano. Outra contribuição dos romanos foram as boas estradas por eles construídas, onde algumas ainda existem nos dias de hoje as quais foram utilizadas para viagens de cristãos pelas terras do império levando o evangelho a vários lugares. O exército romano também contribui para expansão do cristianismo, tendo em vista que muitos soldados foram convertidos e levaram o evangelho a várias partes do império romano. As conquistas do exército romano também contribuíram para expansão do cristianismo, fazendo com que povos pagãos conquistados desfalecessem na fé dos deuses “fracos e derrotados” que eles serviam e passavam a ser influenciados pelas crenças romanas, onde muitos soldados eram cristãos convertidos. Mesmo perseguindo o cristianismo, os romanos sem querer foram usados soberanamente por Deus para o preparo do mundo para vinda de cristo e para a expansão do cristianismo.

4.     Por último, a contribuição mais importante para a preparação do “palco” mundial para o primeiro advento de Cristo foi sem dúvida as contribuições religiosas dos Judeus. Aos Judeus haviam sido dadas todas as revelações de Deus do Antigo Testamento. Este era o povo que prestava culto ao verdadeiro Deus. Até mesmo as nações pagãs inimigas dos israelitas como os Assírios, os babilônicos e os próprios romanos foram influenciados pelo fator religioso Judaico e ajudaram a espalhar estes pensamentos pelo mundo. Tendo o judaísmo uma forte ligação com o cristianismo, tendo em vista que seu livro sagrado constitui o Antigo testamento dos cristãos, suas ideias e doutrinas religiosas contribuíram diretamente para o estabelecimento do cristianismo que acabara de surgir no I séc. d.C. Entre estes pensamentos religiosos destacamos o Monoteísmo, o culto a um Deus único e verdadeiro que diferenciavam os judeus dos demais povos que cultuavam vários deuses. Este culto monoteísta é o culto cristão em toda sua história, diferenciado pela exaltação da Santíssima Trindade, onde o único Deus verdadeiro é manifesto e adorado em três pessoas distintas e de igual essência. Outro pensamento judeu é a esperança messiânica ou a espera de um libertador e salvador. Estes pensamentos já permeavam o povo judeu por meio das profecias do Antigo testamento e prepararam o mundo para a chegada do salvador. Os cristãos hoje creem no salvador que veio resgatar Sua Igreja, porém aguardam a manifestação dos céus do segundo advento do Senhor Jesus em poder e glória para consumação de toda história e a eternidade no novo céu e nova terra onde habita a justiça. O sistema ético judaico também se assemelha ao cristianismo em contraste com a imoralidade e cultos pagãos daquela época. Falsos deuses eram cultuados em altares de orgias e imoralidades sem limites as quais influenciavam também os costumes dos povos pagãos da época. Enquanto que o judaísmo tinha sua moral alicerçada nas leis de Deus resumidas nos dez mandamentos as quais moldavam os judeus a um padrão moral e ético elevado, os pagãos viviam em dissolução e iniquidades desenfreadas. O padrão do cristianismo também é baseado nas leis de Deus nas escrituras e excede em muito aos padrões observados por muitos judeus que entendiam e confiavam somente na letra da lei, sem possuírem o Espírito e a liberdade dos filhos de Deus para servirem a justiça. Conforme já mencionado anteriormente, o povo judeu possuía os oráculos de Deus no Antigo testamento. A teologia, as profecias, os dados históricos contido nesta escritura judaica contribuíram diretamente para vinda do cristianismo sendo está a mensagem da igreja estabelecida pelo Senhor Jesus e seus apóstolos no I séc. Mais tarde, o antigo testamento unido ao novo testamento registrado pelos apóstolos e servos de Deus que andaram com o Senhor Jesus ,formariam o alicerce da igreja por todas as eras seguintes até a consumação dos séculos, a bíblia sagrada. Mais um pensamento judeu que o liga diretamente ao cristianismo em contraste com outras religiões é a filosofia da história, onde estava a ideia de que todo o acontecimento através dos tempos tem um significado e estão contribuindo para o avanço da história, diferente dos pagãos que achavam que a história sempre se repete e não leva a lugar algum. A igreja por meio das escrituras promove a cosmovisão onde tudo o que aconteceu, acontece e ainda sucederá, cooperam para o progresso e o cumprimento do propósito eterno e soberano de Deus, que triunfará sobre todo o mal e pecado da humanidade culminando na glória do nome de Deus. Por fim, os judeus estabeleceram uma instituição muito útil para o estabelecimento e a expansão do cristianismo, as sinagogas judaicas. Através delas judeus e gentios se familiarizaram tanto com o judaísmo quanto com o cristianismo surgido no I sec. O próprio apóstolo Paulo e outros se utilizavam das sinagogas para as reuniões e ensino do evangelho durante as viagens missionárias. A semelhança das sinagogas, cristãos no mundo inteiro tem estabelecido locais para suas reuniões e cultos as quais chamamos de igrejas.

Conclusão

Tendo em vista todos estes fatores mencionados e a luz da Escritura sagrada, certamente, naquele tempo, naquele lugar singular, aos olhos daqueles povos, aprouve ao Senhor de toda história enviar ao mundo Seu Filho para salvação do Seu povo, a Sua igreja, porque sem sombra de dúvidas, aquela era a plenitude dos tempos, onde tudo já estava pronto, onde reinos e impérios haviam sido estabelecidos e conduzidos pelo Soberano Jeová a fim de que Seu eterno propósito continuasse seu cumprimento .

Nos dias de hoje, Aquele que era, que É e que há de vir, certamente virá, pois o eterno propósito do Altíssimo ainda está em andamento. Nações, povos, governos e reinos em toda a terra têm sido atingidos pelo evangelho do reino e o Soberano está em Seu trono, reinando ativa e continuamente no mundo e na história conduzindo cada indivíduo e cada acontecimento para o seu determinado propósito, onde no fim, todo joelho se dobrará e toda língua confessará que Jesus Cristo é o Senhor para glória de Deus Pai.

“Porque Dele, por meio Dele, e para Ele são todas as coisas. A Ele, pois, a glória eternamente. Amém!” Romanos 11:36

Soli Deo Gloria!

MULHERES EXTRAORDINÁRIAS





















 

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