segunda-feira, 24 de dezembro de 2018

REVELAÇÃO DE DEUS



DUAS CONVICÇÕES A RESPEITO DO TEXTO BÍBLICO
1º.    ELE É UM TEXTO INSPIRADO. Expor as Escrituras é esclarecer o texto inspirado. Revelação e inspiração andam juntas. Revelação descreve a iniciativa que Deus tomou de desvelar-se e, assim, mostrar-se, já que, sem essa revelação, ele permaneceria o Deus desconhecido. Inspiração descreve o processo pelo qual ele fez isso, isto é, falando aos profetas e aos apóstolos bíblicos e por meio deles, e sussurrando sua Palavra de sua boca de tal forma que ela também saísse da boca deles. Caso contrário, seus pensamentos teriam sido inatingíveis para nós.
A terceira palavra é providência, isto é, a amável provisão pela qual Deus providenciou para que as palavras que ele disse fossem escritas de forma a constituírem o que chamamos de Escrituras e, desse modo, as preservou ao longo dos séculos de forma a serem acessíveis a todas as pessoas em todos os lugares e em todos os tempos. As Escrituras, portanto, são a palavra de Deus escrita. É sua autorrevelação de forma falada e escrita. As Escrituras são o produto da revelação, inspiração e providência de Deus.
Essa primeira convicção é indispensável para pregadores. Se Deus não tivesse falado, nós não nos atreveríamos a falar, porque não teríamos nada a expressar exceto nossas triviais especulações. Mas já que Deus falou, nós também precisamos falar, comunicando a outros o que ele nos comunicou nas Escrituras. De fato, nós nos recusamos a ser silenciados. Como Amós o coloca: “O leão rugiu, quem não temerá? O SENHOR, o Soberano, falou, quem não profetizará?”, isto é, passe adiante a Palavra que ele disse. Similarmente, Paulo, ecoando o Salmo 116.10, escreveu: “Nós também cremos e, por isso, falamos” (2Co 4.13). Isto é, acreditamos no que Deus disse e é por isso que também falamos.
Tenho pena do pregador que chega ao púlpito sem Bíblia em suas mãos ou com uma Bíblia que é mais trapos e farrapos do que a Palavra do Deus vivo. Ele não pode expor as Escrituras porque não tem Escrituras para expor. Ele não pode falar porque não tem nada a dizer, ao menos nada importante. Ah, mas dirigir-se ao púlpito com a confiança de que Deus falou, que ele fez com que o que disse fosse escrito, e que temos esse texto inspirado em nossas mãos, aí sim nossa cabeça começa a girar, e nosso coração a bater, e nosso sangue a correr, e nossos olhos a brilhar com a glória absoluta de ter a palavra de Deus em nossas mãos e lábios.
2º.    O TEXTO INSPIRADO É, ATÉ CERTO PONTO, UM TEXTO FECHADO. Essa é a implicação da minha definição. Expor as Escrituras é esclarecer o texto inspirado. Assim, ele precisa estar parcialmente fechado se for para ser esclarecido. E eu penso que imediatamente vejo seus “pelos protestantes” eriçados com indignação. O que você quer dizer? Por acaso é que as Escrituras estão parcialmente fechadas? As Escrituras não são um livro completamente aberto? Você não acredita no que os reformadores do século XVI ensinaram a respeito da clareza das Escrituras, que elas são transparentes? Não pode até mesmo o simples e o inculto ler a Bíblia por si mesmo? Não é o Espírito Santo o nosso mestre dado por Deus? E, com a Palavra de Deus e o Espírito de Deus, não devemos dizer que não precisamos do magistério eclesiástico para nos instruir?
Eu posso responder com um ressonante sim a todas essas questões, mas o que você diz de maneira correta precisa ser classificado. A insistência dos reformadores na clareza das Escrituras se referia à sua mensagem central – seu evangelho de salvação pela fé em Jesus Cristo somente. Isso é claro como o dia nas Escrituras. Mas os reformadores não sustentavam que tudo nas Escrituras estava claro. Como eles poderiam fazer isso, quando Pedro disse que existiam algumas coisas nas cartas de Paulo que nem ele conseguia entender (2Pe 3.16)? Se um apóstolo nem sempre entendia outro apóstolo, dificilmente seríamos modestos se disséssemos que nós entendemos.
A verdade é que precisamos uns dos outros na interpretação das Escrituras. A igreja é corretamente chamada de comunidade hermenêutica, uma comunhão de crentes em que a Palavra de Deus é exposta e interpretada. De modo particular, precisamos de pastores e professores para expô-la, para esclarecê-la de modo que a possamos entender. É por isso que o Jesus Cristo que ascendeu, de acordo com Efésios 4.11, ainda está dando pastores e mestres à sua igreja.
Você se lembra o que o eunuco etíope disse na carruagem quando Felipe lhe perguntou se ele havia entendido o que estava lendo em Isaías 53? Ele disse: “Ora, é claro que posso. Você não acredita na clareza das Escrituras?”. Não, ele não disse isso. Ele disse o seguinte: “Como posso entender se alguém não me explicar?” (At 8.31).
DUAS OBRIGAÇÕES NA EXPOSIÇÃO DO TEXTO
A PRIMEIRA OBRIGAÇÃO É FIDELIDADE AO TEXTO BÍBLICO. Você e eu precisamos aceitar a disciplina de nos colocar dentro da situação dos autores bíblicos – sua história, geografia, cultura e linguagem. Se negarmos essa tarefa ou se a realizarmos de um modo relaxado ou indiferente, isso será indesculpável. Isso expressa desprezo pela maneira que Deus escolheu para falar ao mundo. Lembre-se, estamos lidando com o texto inspirado por Deus. Dizemos que acreditamos nisso, mas nosso uso das Escrituras nem sempre é compatível com o que dizemos ser nossa visão das Escrituras. Com que cuidado diligente, meticuloso e consciente deveríamos estudar por nós mesmos e esclarecer a outros as exatas palavras do Deus vivo! Assim, o erro mais grosseiro que podemos cometer é impor nossos pensamentos de século XXI às mentes dos autores bíblicos, para manipular o que eles disseram a fim de adaptar isso ao que gostaríamos que eles tivessem dito e, depois, reivindicar a defesa deles às nossas ideias.
Calvino acertou novamente quando, em seu prefácio ao comentário da carta aos romanos, escreveu uma bela frase: “É a primeira tarefa de um intérprete deixar seu autor dizer o que ele diz em vez de lhe atribuir o que nós pensamos que ele deve dizer”. É aí que começamos. Charles Simeon disse: “Meu empenho é tirar das Escrituras o que está ali e não acreditar no que eu penso que possa estar lá”.
A SEGUNDA OBRIGAÇÃO É SENSIBILIDADE PARA COM O MUNDO MODERNO. Embora Deus tenha falado ao mundo antigo em suas próprias línguas e culturas, ele pretendeu que sua Palavra fosse para todas as pessoas em todas as culturas, incluindo a nós no começo do século XXI em que nos chamou para viver. Portanto, o expositor bíblico é mais do que um exegeta. O exegeta explica o significado original do texto. O expositor vai adiante e aplica isso ao mundo moderno. Precisamos nos esforçar para entender o mundo em que Deus nos chamou para viver, pois ele está mudando rapidamente. Precisamos sentir sua dor, sua desorientação e seu desespero. Tudo isso é parte de nossa sensibilidade cristã na compaixão pelo mundo moderno.
Aqui, portanto, está nossa obrigação dupla como expositores bíblicos: esclarecer o texto inspirado das Escrituras tanto com fidelidade ao mundo antigo quanto com sensibilidade para com o mundo moderno. Nós não devemos nem falsificar a Palavra a fim de obter uma pretensa relevância nem devemos ignorar o mundo moderno a fim de obter uma pretensa fidelidade. É a combinação de fidelidade com sensibilidade que cria o expositor autêntico.
Mas porque esse processo é difícil, ele também é raro. A falha característica dos evangélicos é serem bíblicos, mas não contemporâneos. A falha característica dos liberais é serem contemporâneos, mas não bíblicos. Poucos de nós sequer começam a se importar com ser ambas as coisas simultaneamente. À medida que estudamos o texto, precisamos nos fazer duas perguntas na ordem certa. A primeira é: O que ele significou? Ou, se você preferir: O que ele significa?, porque ele significa o que significou. Como alguém disse: “Um texto significa o que seu autor quis dizer”.
Assim, o que ele significou quando ele o escreveu? Então fazemos a segunda pergunta: O que ele diz? Qual é sua mensagem hoje no mundo contemporâneo? Se agarramos seu significado sem irmos à sua mensagem, o que ele diz a nós hoje, nós nos entregamos ao estudo de antiguidades que não está relacionado ao presente ou ao mundo real em que fomos chamados para ministrar. Se, entretanto, começamos com a mensagem contemporânea sem nos ter dado à disciplina de perguntar: “O que isso significou originariamente? ”, então nós entregamos ao existencialismo – sem relação com o passado, sem relação com a revelação que Deus deu em Cristo e pelas testemunhas bíblicas de Cristo. Precisamos fazer ambas as perguntas e precisamos fazê-las na ordem correta.
CONSIDERAÇÕES FINAIS:
O dr. Lloyd-Jones escreveu em seu grande livro Pregação e Pregadores que as eras decadentes da história da igreja foram aquelas em que a pregação decaiu. É verdade. Não apenas a pregação da Palavra, mas também o ouvir da Palavra decaiu. A pobreza espiritual de muitas igrejas por todo o mundo hoje é devida, mais do qualquer outra coisa, ou à falta de disposição em ouvir ou à incapacidade para ouvir a Palavra de Deus. Se indivíduos vivem pela Palavra de Deus, assim fazem as congregações. E uma congregação não pode amadurecer sem um ministério bíblico fiel e compreensivo e sem escutar a Palavra por si mesma.
Como devemos reagir? A reação à palavra de Deus depende do conteúdo da Palavra que foi falada.
1.      Se Deus fala a nós a respeito de si mesmo, nós respondemos nos humilhando perante ele em adoração.
2.      Se Deus fala a respeito de nós – nossa desobediência, leviandade e culpa – então respondemos em penitência e confissão.
3.      Se ele fala a nós a respeito de Jesus Cristo e a glória de sua pessoa e obra, nós respondemos em fé, agarrando-nos a esse Salvador.
4.      Se ele fala a respeito de suas promessas, nós nos determinamos a herdá-las.
5.      Se ele fala a respeito de seus mandamentos, nós nos determinamos a obedecer-lhes.
6.      Se ele fala a nós a respeito do mundo exterior e suas colossais necessidades materiais e espirituais, então respondemos quando surge dentro de nós sua compaixão para levar o evangelho por todo o mundo, para alimentar os famintos e cuidar dos pobres.
7.      Se ele fala a nós a respeito do futuro, a respeito da vinda de Cristo e da glória que se seguirá, então nossa esperança está acesa e decidimos ser santos e estar ocupados até que ele venha.
 O pregador que se aprofundou no texto, que o isolou e desenvolveu seu tema principal, e que ficou profundamente agitado ele mesmo pelo texto que estudou, baterá o martelo em sua conclusão. O pregador concederá às pessoas uma chance de reagir a ele, frequentemente em oração silenciosa à medida que cada um é conduzido pelo Espírito Santo a uma obediência apropriada.
                                   É um enorme privilégio ser um expositor bíblico – estar no púlpito com a Palavra de Deus em nossas mãos, o Espírito em nosso coração e o povo de Deus perante nossos olhos aguardando esperançosamente a voz de Deus para ser ouvida e obedecida.

sexta-feira, 23 de novembro de 2018

O QUE É CRISTO?



            Jesus chamava às pessoas a si, dizendo: Venham a mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados, e eu lhes darei descanso (Mateus 11.28). Buda disse: “Não olhem para mim, olhem para minha dharma(doutrina)”. Buda também declarou: “Sejam lâmpadas em si próprios”; enquanto Jesus afirmou: Eu sou a luz do mundo (João 18.12).
            Buda, Confúcio, Maomé, Gandhi... Como outros fundadores de religião, não realizaram milagres e não ressuscitaram dos mortos. Jesus curou cegos de nascença, surdos, mudos, libertou endemoniados, ressuscitou mortos. Além disso, Ele andou sobre o mar, reprendeu os ventos. Ele mesmo ressuscitou como prova de sua divindade.
            E o mais surpreendente de tudo foi que Jesus atraiu a crucificação, pois, ao dizer: Eu lhes afirmo que antes de Abraão nascer, Eu sou (João 8.58), Ele declarou o nome sagrado que Deus havia revelado a Moisés, o nome que Deus usava para falar de si próprio (Êxodo 3.14). Se Jesus não fosse Deus, ninguém jamais na história teria dito uma blasfêmia maior do que essa. Sendo assim, com base na lei judaica, ninguém merecia ser crucificado mais do Jesus.
Assim sendo, Cristo é nossa esperança, significado, propósito jamais apresentados à vida humana. Temos de tornar-nos santos nesta vida e viver como que “pequenos Cristos” de agora em diante. Que destino excelente!

terça-feira, 13 de novembro de 2018

APLICAÇÕES: AMAR A DEUS E AMAR AO PRÓXIMO


Jesus concordou que amar a Deus e amar ao próximo são as coisas que temos que fazer para ir para o céu. Em outra ocasião ele disse que estes são os dois maiores mandamentos (Mateus 22.37-39). É impossível ressaltar demais estes dois princípios. Contudo, o amor é pouco entendido e ainda menos praticado. Muitos veem o amor como uma sensação, um sentimento ou emoção. Uma vez que têm uma bondosa disposição para com Deus e um espírito pacífico para com os outros, eles creem que já cumpriram todas as responsabilidades do amor. Precisamos prestar cuidadosa atenção a estas ilustrações do amor porque elas nos ajudam a entender o que o amor realmente significa na prática.
O bom samaritano socorreu o homem necessitado. O amor é ativo. O amor vê aqueles que têm problemas --físicos ou espirituais-- e sente compaixão por eles. Muitas pessoas estão muito absorvidas consigo mesmas para se preocuparem com os outros e suas dificuldades. Para amar como o samaritano amou, precisamos esquecer de nós mesmos e nos comovermos com o sofrimento dos outros. Isso nunca é mais verdadeiro do que quando vemos pessoas que precisam de auxílio espiritual. Jesus viu as multidões como ovelhas sem pastor e sentiu compaixão por elas, ainda que ele mesmo estivesse exausto (Marcos 6.34). Ele partilhou ansioso a água viva com uma mulher imoral, a despeito de sua própria fome, sede e fadiga (João 4). O amor aceita riscos para ajudar os outros. Algumas vezes o maior risco que tememos é a rejeição. Se outras pessoas desprezarem nossas tentativas para ajudá-las, sentiríamos feridos. Assim, buscando isolar-nos do risco de ter nosso ego arranhado, evitamos aproximarmo-nos delas. É arriscado convidar um vizinho a ler a Bíblia conosco, chegar a um irmão e reprová-lo, ou desafiar um amigo com respeito à vida dele. O amor arrisca rejeição para ajudar os outros. O amor faz o que pode. Não podemos fazer tudo o que alguém possa precisar, mas podemos fazer alguma coisa. Não temos todas as respostas, mas temos algumas. O amor serve.
Maria escolheu a boa parte e essa escolha demonstrou seu amor por Jesus. Nossas escolhas sempre demonstram o que amamos. E uma coisa é certa: escolhas serão feitas porque ninguém pode fazer tudo. Algumas coisas que, por si mesmas, são boas e apropriadas, terão que ser omitidas. O que escolheremos? Algumas pessoas escolhem o urgente em vez do importante, fazendo as coisas que precisam ser feitas imediatamente em vez das coisas que são muito mais valiosas a longo prazo. Uma vez que muitas tarefas espirituais (coisas como orar e estudar) podem ser feitas a qualquer tempo, elas tendem a ser postas de lado enquanto nos concentramos em atividades com limite de tempo. Alguns escolhem as coisas que são visíveis em vez das coisas que as pessoas não podem ver. Uma vez que as atividades espirituais não são percebidas pelos outros, elas podem ser facilmente negligenciadas. Marta recebeu bem a Cristo, porém não escolheu a boa parte. Tinha tantas outras coisas que a sobrecarregavam e preocupavam que não teve tempo para sentar-se e ouvir Jesus. O tempo que gastamos com Jesus é um sinal de quanto o amamos.
O amor é a chave para herdar a vida eterna. Amamos a Deus? Amamos nosso próximo?

quinta-feira, 8 de novembro de 2018

AMAR A DEUS



E aconteceu que, indo eles de caminho, entrou Jesus numa aldeia; e certa mulher, por nome Marta, o recebeu em sua casa; E tinha esta uma irmã chamada Maria, a qual, assentando-se também aos pés de Jesus, ouvia a sua palavra. Marta, porém, andava distraída em muitos serviços; e, aproximando-se, disse: Senhor, não se te dá de que minha irmã me deixe servir só? Dize-lhe que me ajude. E respondendo Jesus, disse-lhe: Marta, Marta, estás ansiosa e afadigada com muitas coisas, mas uma só é necessária; E Maria escolheu a boa parte, a qual não lhe será tirada. Lucas 10:38-42
Marta era uma boa senhora. Ela recebeu bem Jesus em sua casa. Ela poderia ter-se incomodado com o serviço extra e a perturbação que sua visita traria e ter pedido a Ele que se fosse, mas não o fez. Ela estava ansiosa por sentar-se e ouvir o Senhor, como sua irmã Maria estava fazendo, mas as exigências de suas preparações deixaram-na sem tempo para fazer isso. Talvez ela estivesse preparando uma refeição, limpando a casa ou atendendo às outras tarefas domésticas da família. Seus elevados padrões nessa área e sua compulsão para ter as coisas bem em ordem para a visita de Jesus frustraram-na grandemente. Ela ficou irada porque sua irmã não a estava ajudando. Jesus apontou o problema dela: estava aflita e aturdida por muitas coisas. Não eram coisas más, porém não eram "aquela coisa" de importância suprema. Ela estava aplicando esforço de primeira qualidade a atividades de segunda qualidade.
Maria, em contraste, sentou-se aos pés de Jesus, ouvindo-o. Havia uma refeição para ser preparada, talvez uma casa para ser limpa, mas Maria escolheu passar o seu tempo com seu Senhor. Tanto Maria como Marta tinham algum amor por Jesus. Mas Maria era aquela que amava a Jesus com "todo" o seu coração, com "toda" a sua alma, com "toda" a sua força, e com "todo" o seu entendimento. Amar assim a Cristo significa escolher buscar as prioridades espirituais, mesmo se isso significar fazer outras coisas não tão bem, ou mesmo não as fazer.

sábado, 3 de novembro de 2018

AMAR O TEU PRÓXIMO



A parábola do bom samaritano (Lucas 10:30-37) é um dos mais conhecidos ensinamentos de Jesus. A história apresenta quatro conjuntos de personagens: O homem que foi roubado, espancado e deixado como morto. Quase nada sabemos sobre este homem, exceto que estava viajando de Jerusalém para Jericó. Não sabemos sua classe social, seu caráter, nem mesmo sua raça. Não sabemos se ele tinha feito alguma coisa para merecer estes ferimentos. Não faz diferença: O amor ao próximo responde à necessidade, não à identidade da pessoa.  Os assaltantes. Eles se aproveitaram de sua vítima, tomaram o que puderam, e se desfizeram dela. Muitos hoje em dia olham para os outros do mesmo modo que os ladrões. Procuram ganhar o que podem de alguém e depois não se preocupam mais com ele. Um sacerdote e um levita que estavam viajando pela estrada. Eles viram o homem ferido e se desviaram, passando pelo outro lado. A despeito da posição religiosa deles, evidentemente encontraram alguma desculpa para não ajudar. O samaritano. Um judeu poderia ter esperado que o samaritano tivesse sido o vilão da história. Mas Jesus mostrou que alguns dos desprezados samaritanos eram mais justos até mesmo que sacerdotes e levitas.
O que tornou o samaritano diferente? Ele teve compaixão pelo homem ferido. Os outros estavam tão absorvidos consigo mesmos que realmente não se interessaram por ele, mas quando o samaritano viu a vítima, ele teve compaixão dela. Ele se arriscou. O assalto mostrava vividamente que a estrada era perigosa. Mas ele parou, cuidou dos ferimentos do homem e levou-o a uma hospedaria para receber tratamento. Ele fez o que pôde. O samaritano não era um centro médico totalmente equipado. Ele não era médico. Ele não construiu nenhum hospital. Sem dúvida, havia outros que poderiam estar bem mais qualificados para ajudar se estivessem na cena. Mas este samaritano fez o que pôde com o que tinha. Ele tomou de seu próprio óleo e vinho e tratou os ferimentos. Ele usou seu próprio animal para transportar o homem. Ele pagou a estadia do homem na hospedaria e prometeu pagar quaisquer despesas restantes quando voltasse.
Jesus perguntou ao intérprete da Lei qual deles tinha-se mostrado ser o próximo do homem ferido. Ele respondeu corretamente que foi aquele que o tinha socorrido. O homem tinha aprendido que a identidade de nosso próximo não depende de lugar ou raça, mas que todo aquele que necessita de nossa ajuda é nosso próximo. De novo, Jesus ordenou ao homem: "Vai e procede tu de igual modo" (Lucas 10.37). O amor precisa ser praticado, não admirado.

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

A DIFICULDADE DE RECONHECER O PECADO SOCIAL.



Podemos nos sensibilizar bastante com o descontentamento de Deus por causa dos pecados individuais, mas estar bem menos atentos à condição pecaminosa de um grupo do qual fazemos parte. Assim, algumas pessoas que jamais pensariam em matar outro ser humano, em tomar a propriedade de outra pessoa ou em fazer negócios fraudulentos podem ser parte de uma empresa, de uma nação ou de uma classe social que de fato pratica esses atos. Tais pessoas contribuem para a prática desses males por meio de envolvimento financeiro (pagando taxas ou impostos), aprovação direta (pelo voto) ou por consentimento tácito (deixando de discordar ou de manifestar oposição).
Há diversas razões que explicam esse fenômeno estranho:
1º.   Temos a tendência de não considerar nossa responsabilidade aqueles atos em que não fizemos uma escolha realmente ativa. A decisão ou a liderança do ato pode ser de outra pessoa; nós simplesmente condescendemos com o que é feito. Temos bem menos consciência de nossa culpa pelo que ocorre, já que tais atos seriam praticados ainda que não participássemos do grupo.
2º.   Podemos estar tão condicionados pela filiação a um grupo que nossa percepção da realidade fica igualmente determinada por ele. Se, por exemplo, somos brancos, talvez nunca nos coloquemos na situação dos negros. Esse condicionamento é tão sutil e amplo que é possível ignorarmos que há outro lado na questão ou até acreditarmos que não há questão alguma.
3º.   Podemos não reconhecer o egoísmo de um grupo pelo fato de ele estar ligado a nosso egoísmo como indivíduos. Embora haja uma tendência de considerar o pecado basicamente como egoísmo, é possível realmente pecar de forma mais altruísta. Podemos não lucrar pessoalmente (pelo menos não de modo óbvio e direto) com determinada ação de um grupo ao qual pertencemos. Isso talvez nos impeça de ver que o grupo esteja agindo de modo egoísta. Portanto, nosso sacrifício ou altruísmo em favor do grupo talvez pareça uma virtude, mas, na verdade, podemos estar lucrando com isso de forma indireta.
4º.   Nossos excessos podem ser bem menos óbvios a nós, porque participamos de um grupo. Observe-se, por exemplo, o comportamento de uma torcida local em um evento esportivo altamente disputado. Há uma coragem, uma impetuosidade e um orgulho em relação ao time que provavelmente bem poucos indivíduos pensariam em afirmar sobre si mesmos. Pessoas que não manifestariam atitudes de superioridade como indivíduos podem achar que seu país ou sua igreja são superiores aos outros.
5º.   Quanto mais afastados estivermos do mal, menos real ele nos parecerá. Por isso, é menos provável que nos vejamos como responsáveis. Muitos achariam difícil encarar um soldado inimigo, apontar uma arma para ele e puxar o gatilho, pois estariam vendo a pessoa em quem estão atirando e as consequências de um ato assim., no entanto, não seria tão difícil participar de um bombardeiro ou de um ataque de artilharia pesada, situação em que nem as vítimas nem as consequências dessas ações são vistas.
Se nossa responsabilidade fosse fazer a contabilidade da empresa que fabrica munição, por exemplo, provavelmente nos sentiríamos ainda menos culpados e responsáveis. Se estivéssemos envolvidos em uma empresa que faz propaganda enganoso de seus produtos ou costuma fraudar a lei, certamente nos sentiríamos mal por isso.
Se, porém, fossemos acionistas de uma empresa que faz a mesma coisa, é provável que tivéssemos bem menos dificuldade para pôr a cabeça no travesseiro e dormir. Em muitos casos, não sabemos o que realmente faz um grupo do qual somos cidadãos, acionistas ou membros.
Bem, como resolver esse impasse? Paulo afirma que o mundo e o Cristão veem as coisas de perspectiva totalmente distinta. As coisas de Deus são absurdas para o mundo (1 Coríntios 1.21-27); elas são desprezadas pelo mundo (V.28). Deus, porém, tornou tola a sabedoria do mundo (1 Coríntios 1.20; 3.19). Isso se deve ao fato de que “espíritos” diferentes estão envolvidos: “Não temos recebidos o espírito do mundo, mas, sim, o Espírito que vem de Deus, a fim de compreendermos as coisas que nos foram dadas gratuitamente por Deus”. (1 Coríntios 2.12).
As coisas e os dons do Espírito de Deus não são aceitos (de/xomai – dechomai) pelo homem natural, pois são compreendidas espiritualmente (v.14). Eles são estranhos para ele e, portanto, não pode (ou não querem) aceita-los. Podemos ter conhecimento real de Deus. Jesus disse: "Quem vê a mim, vê o Pai"(Jo14.9). Se quisermos entender o amor, a santidade e o poder de Deus, basta olharmos para Cristo.

Tito 3 - Análise Teológica Exegética e Contemporânea

  Deus nos salva por sua misericórdia e nos transforma em um povo dedicado ao bem. Essa é a ideia central de Tito 3, que reúne doutrina da s...