terça-feira, 17 de setembro de 2019

O EVANGELHO

Deus o ofereceu como sacrifício para propiciação mediante a fé, pelo seu sangue, demonstrando a sua justiça. Em sua tolerância, havia deixado impunes os pecados anteriormente cometidos; mas, no presente, demonstrou a sua justiça, a fim de ser justo e justificador daquele que tem fé em Jesus. (Romanos 3.25-26)
A questão é: se você não entender a glória de Deus que é manifesta no evangelho, como então você viverá? Em nossos dias, existem tantos indivíduos que nós chamamos de “endurecidos ao evangelho”, os quais, na verdade, são ignorantes – e não duros – em relação ao evangelho. Existem tantos outros que são realmente nascidos de novo e que estão em busca de motivação, razão, zelo e força na vida cristã, mas não entendem que toda a força da qual eles precisam se encontra somente na verdade do evangelho. Não existe nada mais profundo e mais valioso do que as boas novas consumadas por Jesus Cristo naquela CRUZ. Se entendermos bem essa verdade, teremos todo o fogo de que precisamos ardendo em nosso coração, e não precisaremos mais de falsa empolgação, emocionalismo vazio ou entretenimento barato.

A TOLICE

Assim, as duas filhas de Ló engravidaram do próprio pai (Gênesis 19.36).

A tolice de Ló foi esta: embora o mundanismo de Sodoma atormentasse sua alma justa, ele vivia tão perto do mundo quanto podia, agarrando-se àquela preciosa vida até o seu final amargo. E o resultado foi que, embora Deus tivesse julgado toda Sodoma, exceto Ló e suas filhas, Sodoma renasceu em suas próprias vidas. Vemos, então, que é possível que crentes como nós, que são realmente atormentados pelo curso deste mundo, vivam vidas que são tão profundamente influenciadas pela cultura que Sodoma renasce nas vidas daqueles a quem mais amamos.

A TRAGÉDIA

Então Ló foi falar com seus genros, os quais iam casar-se com suas filhas, e lhes disse: "Saiam imediatamente deste lugar, porque o Senhor está para destruir a cidade! " Mas eles pensaram que ele estava brincando. (Gênesis 19.14).
E o mais trágico: a vida de Ló não fez nada para conduzir sua família e parentes ao céu. Nenhum de seus amigos ou familiares temiam a Deus. Quando ele insistiu que seus futuros genros fugissem da destruição das cidades, “foi tido como zombador”. As palavras de Ló não tinham substância porque ele era insubstancial. Adicionalmente, o estilo de vida de Ló não fez nada para afrouxar o laço da cultura sobre sua esposa. Ela deixou seu coração em Sodoma e, assim, não pôde resistir a olhar para trás — o que levou à sua destruição. A própria mulher que teve suas filhas, que era a pessoa mais íntima, que conhecia os contornos de sua alma, não viu nada nele ou em sua fé para a conduzir da terra ao céu.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

ANSIEDADE ATRAVÉS DA TECNOLOGIA


1.      A ANSIEDADE INDUZIDA PELA TECNOLOGIA PODE SINALIZAR UM PROBLEMA MAIS PROFUNDO.
É natural ficarmos preocupados com as notícias sobre terrorismo, resultados eleitorais ou estatísticas sobre o mal generalizado. Mas muitas vezes a raiz da nossa ansiedade reside numa desconfiança de Deus e de Seu caráter.
Em passagens como Deuteronômio 10.14, Salmo 103.19 e Colossenses 1.17, lembramos que nosso Rei não é surpreendido pelos eventos mundiais. Ele é o começo e o fim, então, quando descansamos em Sua bondade soberana sobre todas as coisas, a ansiedade começa a evaporar como a névoa no ar.

2.      PODEMOS SER TENTADOS A ACREDITAR QUE DEUS ESTÁ NOS REJEITANDO.
Ver o glamour constante da vida dos outros no Facebook ou no Pinterest pode gerar inveja e ansiedade. Ao vermos tantas postagens felizes, podemos começar a assumir que Deus abençoa os outros e nos negligencia. Podemos desenvolver sutilmente uma mentalidade de “se ao menos” (se ao menos eu tivesse aquilo, ficaria feliz), e isso é tóxico, pois fixa nosso coração nas dádivas, e não no Doador.
Em última instância, não estamos em busca das bênçãos de Deus. Ao contrário, estamos em busca de reconciliação com Deus, por meio do sangue de Jesus Cristo. Essa reconciliação resulta em benefícios infinitos, sendo o principal deles, a satisfação do próprio Deus. Ele é a nossa paz. Ele é a nossa riqueza. Nossa mais profunda necessidade é querer a Deus mais do que querer as coisas. Internalizar isso nos ajuda a rejeitar a sedução de seguir o ritmo da comparação com os outros sempre que navegamos na internet.

3.      O USO DE TECNOLOGIA ABUNDANTE PODE NOS DEIXAR COM O MEDO DE FICAR POR FORA, TAMBÉM CONHECIDO COMO FOMO (TERMO EM INGLÊS PARA “FEAR OF MISSING OUT”).
Embora o acrônimo possa nos induzir à exasperação, isso é um problema real. Nossos smartphones estão sempre mostrando imagens com alguma diversão que todos os outros estão tendo… sem nós. Mas, como outras formas de medo ou ansiedade, o medo de ficar por fora é externalizado porque não cremos que Deus é bom e suficiente. Se olharmos para Ele em toda Sua força e amor, nossa ansiedade começará a dissipar-se, porque sabemos que Ele quer o que é melhor para nós, e garantiu isso a um custo infinito para Si mesmo. Nossa segurança e valor estão ancorados na avaliação que Deus faz de nós, de que Ele nos amou o suficiente para sacrificar Seu único Filho, para que, em troca, pudéssemos desfrutar dEle (Romanos 8.32; 1 João 4.9).
Portanto, se nossos smartphones mostrarem que os outros estão se esquecendo de nós, nos negligenciando ou até nos rejeitando, não importa, porque o amor de Deus é sem igual. À medida em que nos vemos à luz do sacrifício de Cristo, o medo de ficar por fora perde seu controle sobre nossos corações. Quando caminhamos com Deus e permanecemos sensíveis à liderança do Espírito, não tem essa de “ficar de fora”. Como é possível perder algo, que é melhor, quando um Rei bom e soberano está endireitando as nossas veredas (Provérbios 3.6)?

QUANDO O CELULAR APITA
Deus nos chama a sermos responsáveis e cheios de integridade com o que Ele nos deu (por exemplo, Mateus 24.14-30; Lucas 16.10; 1 Coríntias 4.1-2; Colossenses 3.23; Tito 2.7). Devemos ser irrepreensíveis quando se trata de tecnologia, e não permitir que ela guie nossas vidas ou nos afogue em ansiedade.
Confiar no Pai celestial separa os seguidores de Cristo do restante de uma cultura embebida em tecnologia, que vive inquieta toda vez que seu celular apita. A ansiedade sempre vai incentivar nossos corações a buscar soluções rápidas longe de Deus, mas a verdadeira paz vem de confiarmos na própria fonte da vida. Ao descansarmos nEle, a ansiedade, aos poucos, vai desaparecendo.

NA TEMPESTADE COM JESUS E JONAS







No Evangelho de Marcos, a história da tempestade no mar aparece logo após Jesus ter pregado uma série de sermões. Ele havia pregado para uma multidão tão grande que teve que falar de um barco ancorado a uma curta distância da margem.
Marcos 4.35–41 relata a história de Jesus acalmando a tempestade — mas, curiosamente, o Senhor estava adormecido quando o caos irrompeu ao seu redor:
“Ora, levantou-se grande temporal de vento, e as ondas se arremessavam contra o barco, de modo que o mesmo já estava a encher-se de água. E Jesus estava na popa, dormindo sobre o travesseiro; eles o despertaram e lhe disseram: Mestre, não te importa que pereçamos? E ele, despertando, repreendeu o vento e disse ao mar: Acalma-te, emudece! O vento se aquietou, e fez-se grande bonança”. (Mc 4.37-39).
Por que estava Jesus a dormir no barco?
Há algumas explicações possíveis. Marcos, assim como a maioria dos outros autores bíblicos, não nos dá muitos detalhes — incluindo apenas os elementos necessários à agenda do autor — portanto podemos supor que é um elemento importante para a história. Há três possibilidades.

1. Uma Conexão com Jonas

Talvez Marcos nos tenha dito que Jesus estava dormindo, para conectar a história a Jonas. A história de Jonas (em sua tradução grega), compartilha elementos e linguagem semelhantes à de Marcos 4, o que sugere que Marcos estivesse tentando evocar aquela história. Um destes elementos é a ideia do personagem principal estar dormindo no fundo do barco durante a tempestade, embora a linguagem usada para descrever Jonas seja mais vívida e possivelmente pejorativa.

2. Uma Indicação Sobre a Humanidade de Jesus

Jesus é totalmente humano: trabalhava duro, fazia muitas preleções em público e lidava com muitas pessoas diferentes, todas elas querendo algo dele. Dadas as tensões que os ministros comuns vivenciam em seus trabalhos diários, o Jesus plenamente humano deve ter sofrido de exaustão durante seu ministério terreno.

3. Uma Indicação Sobre a Divindade de Jesus

Embora Jesus seja humano, ele tem plena confiança em sua identidade divina. Como somente a segunda pessoa da Trindade poderia fazer, em meio ao caos, Jesus dormia como um bebê, seguro na percepção de que ele é um com o Criador, e sua hora ainda não havia chegado. Seu dormir indica um insight divino: Jesus sabia que não iria morrer naquela noite.
É claro que todas estas três explicações são possíveis ao mesmo tempo, pois a linguagem humana nas mãos de um autor competente, pode transmitir várias idéias complexas de uma só vez.
POR QUE ESTAS TRÊS OPÇÕES?
Certamente, Jesus a dormir, tem a intuito de nos fazer pensar sobre a história de Jonas (a primeira opção), na qual uma tempestade suspeita acontece e é silenciada por Deus e todas as testemunhas ficam aterrorizadas. Lembre-se de que os marinheiros lançaram sortes perguntando: “por causa de quem nos sobreveio este mal?” A sorte caiu sobre Jonas. Eles relutantemente lançaram o profeta ao mar e imediatamente cessou o mar de sua fúria. A ênfase está em quem é que acalma a tempestade. O SENHOR, Criador dos céus e da terra acalmou a tempestade e os marinheiros sabem que acabaram de testemunhar a mão de Deus e sua completa autoridade sobre as forças da criação. Em Jonas 1.16, “Temeram, pois, estes homens em extremo ao SENHOR”. A tradução grega deste texto enfatiza o grande medo que os marinheiros sentiram ao verem o poder de Deus ser demonstrado. É até mesmo maior do que o medo da tempestade (1.5). É amedrontador saber que o Deus cósmico, que acalma a tempestade, também se importa com a rebelião de um único homem.
Em Marcos, Jesus também está a dormir. Os discípulos o despertam por medo de perder suas vidas (tal como em Jonas, aquele que dorme é despertado com uma pergunta retórica), e o vento e as ondas se aquietaram. Marcos parece estar chamando nossa atenção para o agente que acalmou a tempestade. Em Jonas, o agente foi o SENHOR, mas em Marcos 4 foi Jesus. Jesus está para a tempestade em Marcos 4 como que Deus estava para o vento e as ondas em Jonas 1.
E como que para enfatizar este ponto ainda mais, os discípulos que testemunharam tudo isto são descritos praticamente com a mesma fraseologia usada na tradução grega de Jonas. Ficaram “possuídos de grande temor” (Marcos 4.41). A tempestade havia sido aterrorizante, mas este profeta no barco com o poder de falar a verdade aos elementos se torna um motivo inteiramente novo de medo. A autoridade de Deus inspira este tipo de medo naqueles que a observam em primeira mão.
Mas a segunda opção também é válida. Jesus a dormir no barco é um lembrete de sua humanidade. É uma ideia fascinante que houve momentos regulares em que o Deus-homem, o Senhor do universo, pode ter se deitado e ponderado alguns pensamentos aleatórios antes que o sono chegasse. Como humano, ele podia ficar cansado, até mesmo ao ponto de exaustão. Portanto, ele entra no barco e se deita, tal como um viajante de negócios em um vôo noturno, tentando dormir enquanto pode. Os leitores de Marcos podem prontamente se identificar com a humanidade de Jesus.
A terceira opção também é convincente. Somente o fato de que Jesus ficou dormindo, é uma indicação de sua divindade. De que maneira? Jesus não tinha medo do vento ou das ondas ou de qualquer coisa que estes lhe pudessem fazer. O Criador não necessita ficar inquieto diante de uma criação perigosa. Quando Jonas secretamente dormiu no porão, ele fez isto com um espírito de fatalismo e de pavor. Quando Jesus dormiu na popa do barco, ele o fez em confiança. Ele não perdia o sono por causa de padrões climáticos.
Jesus é mais que um mestre; ele é um realizador de milagres. Quando o leitor compreende este ponto, Marcos aumenta a aposta mais ainda.
Jesus é mais que um mestre e mais que um realizador de milagres. Ele tem a autoridade do próprio Criador.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

UMA MULA FALANDO COM OUTRA!


A Impaciência ou ansiedade? As duas na língua portuguesa são sinônimas, isto é, representam etimologicamente a mesma coisa, todavia, por convenção a primeira está atrelada ao comportamento do indivíduo e a segunda ao psique, uma doença da alma, alguém que sofre por algo futuro.Ambas carregam consigo o adjetivo de irracionalidade, isto é, elas nos tiram a condição que nos faz imagem e semelhança de Deus, nossa capacidade de discernimento, elas são como uma lâmpada ligada ao interruptor, esperando que alguém acione a tecla para que elas entrem em funcionamento. Balaão foi impaciente e ansioso, queria ficar bem com Deus e com os príncipes moabitas, mas sua irracionalidade foi exposta: "Então o Senhor abriu a boca da jumenta, a qual disse a Balaão: Que te fiz eu, que me espancaste estas três vezes? E Balaão disse à jumenta: Porque zombaste de mim; quem dera tivesse eu uma espada na mão, porque agora te mataria (Números 22.28-29). Olhe a cena! Ele não percebeu que estava discutindo com uma mula, jumenta, asno, burro...um animal irracional, ele estava cego pela impaciência,sua alma estava cheia de ansiedade. Deus usou a irracionalidade para clarear a racionalidade. Minha duvida é quem era a MULA?

segunda-feira, 24 de dezembro de 2018

REVELAÇÃO DE DEUS



DUAS CONVICÇÕES A RESPEITO DO TEXTO BÍBLICO
1º.    ELE É UM TEXTO INSPIRADO. Expor as Escrituras é esclarecer o texto inspirado. Revelação e inspiração andam juntas. Revelação descreve a iniciativa que Deus tomou de desvelar-se e, assim, mostrar-se, já que, sem essa revelação, ele permaneceria o Deus desconhecido. Inspiração descreve o processo pelo qual ele fez isso, isto é, falando aos profetas e aos apóstolos bíblicos e por meio deles, e sussurrando sua Palavra de sua boca de tal forma que ela também saísse da boca deles. Caso contrário, seus pensamentos teriam sido inatingíveis para nós.
A terceira palavra é providência, isto é, a amável provisão pela qual Deus providenciou para que as palavras que ele disse fossem escritas de forma a constituírem o que chamamos de Escrituras e, desse modo, as preservou ao longo dos séculos de forma a serem acessíveis a todas as pessoas em todos os lugares e em todos os tempos. As Escrituras, portanto, são a palavra de Deus escrita. É sua autorrevelação de forma falada e escrita. As Escrituras são o produto da revelação, inspiração e providência de Deus.
Essa primeira convicção é indispensável para pregadores. Se Deus não tivesse falado, nós não nos atreveríamos a falar, porque não teríamos nada a expressar exceto nossas triviais especulações. Mas já que Deus falou, nós também precisamos falar, comunicando a outros o que ele nos comunicou nas Escrituras. De fato, nós nos recusamos a ser silenciados. Como Amós o coloca: “O leão rugiu, quem não temerá? O SENHOR, o Soberano, falou, quem não profetizará?”, isto é, passe adiante a Palavra que ele disse. Similarmente, Paulo, ecoando o Salmo 116.10, escreveu: “Nós também cremos e, por isso, falamos” (2Co 4.13). Isto é, acreditamos no que Deus disse e é por isso que também falamos.
Tenho pena do pregador que chega ao púlpito sem Bíblia em suas mãos ou com uma Bíblia que é mais trapos e farrapos do que a Palavra do Deus vivo. Ele não pode expor as Escrituras porque não tem Escrituras para expor. Ele não pode falar porque não tem nada a dizer, ao menos nada importante. Ah, mas dirigir-se ao púlpito com a confiança de que Deus falou, que ele fez com que o que disse fosse escrito, e que temos esse texto inspirado em nossas mãos, aí sim nossa cabeça começa a girar, e nosso coração a bater, e nosso sangue a correr, e nossos olhos a brilhar com a glória absoluta de ter a palavra de Deus em nossas mãos e lábios.
2º.    O TEXTO INSPIRADO É, ATÉ CERTO PONTO, UM TEXTO FECHADO. Essa é a implicação da minha definição. Expor as Escrituras é esclarecer o texto inspirado. Assim, ele precisa estar parcialmente fechado se for para ser esclarecido. E eu penso que imediatamente vejo seus “pelos protestantes” eriçados com indignação. O que você quer dizer? Por acaso é que as Escrituras estão parcialmente fechadas? As Escrituras não são um livro completamente aberto? Você não acredita no que os reformadores do século XVI ensinaram a respeito da clareza das Escrituras, que elas são transparentes? Não pode até mesmo o simples e o inculto ler a Bíblia por si mesmo? Não é o Espírito Santo o nosso mestre dado por Deus? E, com a Palavra de Deus e o Espírito de Deus, não devemos dizer que não precisamos do magistério eclesiástico para nos instruir?
Eu posso responder com um ressonante sim a todas essas questões, mas o que você diz de maneira correta precisa ser classificado. A insistência dos reformadores na clareza das Escrituras se referia à sua mensagem central – seu evangelho de salvação pela fé em Jesus Cristo somente. Isso é claro como o dia nas Escrituras. Mas os reformadores não sustentavam que tudo nas Escrituras estava claro. Como eles poderiam fazer isso, quando Pedro disse que existiam algumas coisas nas cartas de Paulo que nem ele conseguia entender (2Pe 3.16)? Se um apóstolo nem sempre entendia outro apóstolo, dificilmente seríamos modestos se disséssemos que nós entendemos.
A verdade é que precisamos uns dos outros na interpretação das Escrituras. A igreja é corretamente chamada de comunidade hermenêutica, uma comunhão de crentes em que a Palavra de Deus é exposta e interpretada. De modo particular, precisamos de pastores e professores para expô-la, para esclarecê-la de modo que a possamos entender. É por isso que o Jesus Cristo que ascendeu, de acordo com Efésios 4.11, ainda está dando pastores e mestres à sua igreja.
Você se lembra o que o eunuco etíope disse na carruagem quando Felipe lhe perguntou se ele havia entendido o que estava lendo em Isaías 53? Ele disse: “Ora, é claro que posso. Você não acredita na clareza das Escrituras?”. Não, ele não disse isso. Ele disse o seguinte: “Como posso entender se alguém não me explicar?” (At 8.31).
DUAS OBRIGAÇÕES NA EXPOSIÇÃO DO TEXTO
A PRIMEIRA OBRIGAÇÃO É FIDELIDADE AO TEXTO BÍBLICO. Você e eu precisamos aceitar a disciplina de nos colocar dentro da situação dos autores bíblicos – sua história, geografia, cultura e linguagem. Se negarmos essa tarefa ou se a realizarmos de um modo relaxado ou indiferente, isso será indesculpável. Isso expressa desprezo pela maneira que Deus escolheu para falar ao mundo. Lembre-se, estamos lidando com o texto inspirado por Deus. Dizemos que acreditamos nisso, mas nosso uso das Escrituras nem sempre é compatível com o que dizemos ser nossa visão das Escrituras. Com que cuidado diligente, meticuloso e consciente deveríamos estudar por nós mesmos e esclarecer a outros as exatas palavras do Deus vivo! Assim, o erro mais grosseiro que podemos cometer é impor nossos pensamentos de século XXI às mentes dos autores bíblicos, para manipular o que eles disseram a fim de adaptar isso ao que gostaríamos que eles tivessem dito e, depois, reivindicar a defesa deles às nossas ideias.
Calvino acertou novamente quando, em seu prefácio ao comentário da carta aos romanos, escreveu uma bela frase: “É a primeira tarefa de um intérprete deixar seu autor dizer o que ele diz em vez de lhe atribuir o que nós pensamos que ele deve dizer”. É aí que começamos. Charles Simeon disse: “Meu empenho é tirar das Escrituras o que está ali e não acreditar no que eu penso que possa estar lá”.
A SEGUNDA OBRIGAÇÃO É SENSIBILIDADE PARA COM O MUNDO MODERNO. Embora Deus tenha falado ao mundo antigo em suas próprias línguas e culturas, ele pretendeu que sua Palavra fosse para todas as pessoas em todas as culturas, incluindo a nós no começo do século XXI em que nos chamou para viver. Portanto, o expositor bíblico é mais do que um exegeta. O exegeta explica o significado original do texto. O expositor vai adiante e aplica isso ao mundo moderno. Precisamos nos esforçar para entender o mundo em que Deus nos chamou para viver, pois ele está mudando rapidamente. Precisamos sentir sua dor, sua desorientação e seu desespero. Tudo isso é parte de nossa sensibilidade cristã na compaixão pelo mundo moderno.
Aqui, portanto, está nossa obrigação dupla como expositores bíblicos: esclarecer o texto inspirado das Escrituras tanto com fidelidade ao mundo antigo quanto com sensibilidade para com o mundo moderno. Nós não devemos nem falsificar a Palavra a fim de obter uma pretensa relevância nem devemos ignorar o mundo moderno a fim de obter uma pretensa fidelidade. É a combinação de fidelidade com sensibilidade que cria o expositor autêntico.
Mas porque esse processo é difícil, ele também é raro. A falha característica dos evangélicos é serem bíblicos, mas não contemporâneos. A falha característica dos liberais é serem contemporâneos, mas não bíblicos. Poucos de nós sequer começam a se importar com ser ambas as coisas simultaneamente. À medida que estudamos o texto, precisamos nos fazer duas perguntas na ordem certa. A primeira é: O que ele significou? Ou, se você preferir: O que ele significa?, porque ele significa o que significou. Como alguém disse: “Um texto significa o que seu autor quis dizer”.
Assim, o que ele significou quando ele o escreveu? Então fazemos a segunda pergunta: O que ele diz? Qual é sua mensagem hoje no mundo contemporâneo? Se agarramos seu significado sem irmos à sua mensagem, o que ele diz a nós hoje, nós nos entregamos ao estudo de antiguidades que não está relacionado ao presente ou ao mundo real em que fomos chamados para ministrar. Se, entretanto, começamos com a mensagem contemporânea sem nos ter dado à disciplina de perguntar: “O que isso significou originariamente? ”, então nós entregamos ao existencialismo – sem relação com o passado, sem relação com a revelação que Deus deu em Cristo e pelas testemunhas bíblicas de Cristo. Precisamos fazer ambas as perguntas e precisamos fazê-las na ordem correta.
CONSIDERAÇÕES FINAIS:
O dr. Lloyd-Jones escreveu em seu grande livro Pregação e Pregadores que as eras decadentes da história da igreja foram aquelas em que a pregação decaiu. É verdade. Não apenas a pregação da Palavra, mas também o ouvir da Palavra decaiu. A pobreza espiritual de muitas igrejas por todo o mundo hoje é devida, mais do qualquer outra coisa, ou à falta de disposição em ouvir ou à incapacidade para ouvir a Palavra de Deus. Se indivíduos vivem pela Palavra de Deus, assim fazem as congregações. E uma congregação não pode amadurecer sem um ministério bíblico fiel e compreensivo e sem escutar a Palavra por si mesma.
Como devemos reagir? A reação à palavra de Deus depende do conteúdo da Palavra que foi falada.
1.      Se Deus fala a nós a respeito de si mesmo, nós respondemos nos humilhando perante ele em adoração.
2.      Se Deus fala a respeito de nós – nossa desobediência, leviandade e culpa – então respondemos em penitência e confissão.
3.      Se ele fala a nós a respeito de Jesus Cristo e a glória de sua pessoa e obra, nós respondemos em fé, agarrando-nos a esse Salvador.
4.      Se ele fala a respeito de suas promessas, nós nos determinamos a herdá-las.
5.      Se ele fala a respeito de seus mandamentos, nós nos determinamos a obedecer-lhes.
6.      Se ele fala a nós a respeito do mundo exterior e suas colossais necessidades materiais e espirituais, então respondemos quando surge dentro de nós sua compaixão para levar o evangelho por todo o mundo, para alimentar os famintos e cuidar dos pobres.
7.      Se ele fala a nós a respeito do futuro, a respeito da vinda de Cristo e da glória que se seguirá, então nossa esperança está acesa e decidimos ser santos e estar ocupados até que ele venha.
 O pregador que se aprofundou no texto, que o isolou e desenvolveu seu tema principal, e que ficou profundamente agitado ele mesmo pelo texto que estudou, baterá o martelo em sua conclusão. O pregador concederá às pessoas uma chance de reagir a ele, frequentemente em oração silenciosa à medida que cada um é conduzido pelo Espírito Santo a uma obediência apropriada.
                                   É um enorme privilégio ser um expositor bíblico – estar no púlpito com a Palavra de Deus em nossas mãos, o Espírito em nosso coração e o povo de Deus perante nossos olhos aguardando esperançosamente a voz de Deus para ser ouvida e obedecida.

Tito 3 - Análise Teológica Exegética e Contemporânea

  Deus nos salva por sua misericórdia e nos transforma em um povo dedicado ao bem. Essa é a ideia central de Tito 3, que reúne doutrina da s...