sexta-feira, 9 de março de 2018

Agnódice: A Primeira Médica da História



Agnodice ou Agnodike (IV a. C), a mais antiga mulher a ser mencionada pelos gregos, tencionava fortemente ser médica. Natural de Atenas, aonde havia proibição legal para mulheres estudarem medicina, Agnódice viajou a Roma a fim de aprender a fazer partos e, dedicando-se principalmente ao estudo da obstetrícia e da ginecologia, obteu conhecimentos básicos sobre a saúde da mulher.

Desejando voltar a seu país e nele colocar em prática os conhecimentos adquiridos em Roma, a solução para tonar-se impune foi radical: Agnódice voltou à Grécia com os cabelos curtos e travestida de homem, sentindo-se dessa forma segura para exercer a medicina.
Quando começou a atuar, com muito sucesso, atraiu muitos clientes, despertando assim o ciúme de outros médicos. Raivosos com Agnódice e acreditando que fosse realmente homem, eles a acusaram falsamente de estar praticando atos libidinosos com as pacientes.

Levada ao tribunal (areópago), ela tentou se defender da falsa acusação; porém, quando percebeu que seria condenada à morte, despiu-se diante do juiz e dos jurados. Atitude extrema causou em todos grande surpresa e comoção. Além disso, várias de suas pacientes declararam em frente ao templo que se ela fosse executada, iriam morrer com ela. O juiz reconheceu a injustiça que estava sendo cometida contra Agnódice, livrou-a da acusação e promulgou uma lei determinando que, a partir daquele momento, as mulheres teriam o direito de praticar a medicina na Grécia.

Graças à ousada e corajosa atitude de Agnódice, as mulheres hoje são maioria na profissão.

REFERÊNCIAS:
1.BEZERRA, Armando "Admirável mundo médico: a arte na história da medicina" - Brasília, 2002
2.Greenhill, William Alexander (1867), "Agnodice", in Smith, William, Dictionary of Greek and Roman Biography and Mythology, 1, Boston: Little, Brown and Company

quinta-feira, 8 de março de 2018

ISAÍAS 17, A BÍBLIA DIZ O QUÊ?



O texto de Isaías 17 tem chamado a atenção. O julgamento sobre os arameus (sírios) tem destaque nas palavras do grande profeta do século 8 a.C.
“Advertência contra Damasco: Damasco deixará de ser cidade; e se tornará um monte de ruínas. Suas cidades serão abandonadas; serão entregues aos rebanhos que ali se deitarão, e ninguém os espantará” (Isaías 17:1,2).
Há diversos textos dos que se referem às nações nos profetas literários, alguns oráculos merecem destaque maior: Isaías 13-23; Jeremias 46-51; Ezequiel 25-32; Amós 1.3-2.16; Naum 2-3; Sofonias 2-3; Habacuque; Obadias e o livro de Jonas. É muito significativo observar a extensão dedicada às nações pelos profetas. Isso mostra a necessidade de explicar a realidade da atuação e movimentação dos povos ao redor, e o que isso significava para Israel. É importante ressaltar que Naum e Jonas dedicam-se ao tema da destruição de Nínive, capital da Assíria, e o livro de Habacuque questiona a justiça divina, no caso da invasão neobabilônica no reino do Sul.
A diversidade de nações também merece menção em Isaías e nos outros profetas. Além das potências que ameaçaram a continuidade de Israel, a Assíria (Nínive) e a Babilônia, muitas outras nações são relacionadas nesses oráculos. Entre elas, destacam-se a Filistia; a Fenícia, mais comumente abordada por suas famosas cidades Tiro e Sidom; o Egito; a Síria (Aram), com o enfoque muitas vezes em Damasco; e também nações menores e menos poderosas como Amom, Moabe, Edom, Elam (região da Pérsia) e até tribos árabes. Ainda que algumas dessas nações não representassem potências militares, elas tinham outros significados importantes. Algumas, como o Egito, poderiam representar um refúgio ou um aliado, outras como Moabe e Edom, frequentemente se aproveitavam das invasões estrangeiras para tirar vantagem dos judaítas e israelitas. Assim, todo o quadro de nações disponível aos profetas estava sujeito aos desígnios do Deus de Israel.
Na abordagem das nações, os dois tipos básicos de oráculos proféticos são a profecia de juízo e a profecia de salvação. A palavra dura, de juízo, foi em geral dirigida às nações, principalmente em função da atitude opressora dos grandes impérios do mundo antigo. Nelas há temas relevantes que merecem atenção:
AS PROFECIAS DE JUÍZO
Destruir a Opressão e Estabelecer a Justiça. Ainda que as potências do mundo da época fossem, em última instância, controladas por Deus, a opressão e a maldade teriam que receber a devida retribuição do Deus da justiça revelado a Israel. Dois exemplos referentes à Assíria e à Babilônia estão em Naum e Isaías:
“Ai da cidade sanguinária, repleta de fraudes e cheia de roubos, sempre fazendo as suas vítimas!” (Naum 3:1).
“Você zombará assim do rei da Babilônia: Como chegou ao fim o opressor! Sua arrogância acabou-se!” (Isaías 14:4).
Crueldade contra Israel-Judá. Como povo da aliança, Israel é amado por Deus de modo muito especial e peculiar. Deus vai ser descrito como aquele que tem ciúmes de Israel. “O teu criador é o teu marido”, registra Isaías 54:5. Por isso, as nações são julgadas por terem ousado tocar “na menina dos olhos de Deus” (Zacarias 2:8). Amós condena o que os sírios fizeram com Gileade. Damasco está em vista aqui:
“Assim diz o Senhor: ‘Por três transgressões de Damasco e ainda mais por quatro, não anularei o castigo. Porque trilhou Gileade com trilhos de ferro pontudos’” (Amós 1:3).
Crueldade contra Outras Nações. O Deus justo punirá as nações ímpias não só pelo que fizeram a Israel, mas também pelo que foi feito a outras nações mais fracas. Conceito surpreendente num ambiente de deuses exclusivamente nacionalistas. O Deus da aliança também é o Deus universal, que controla o destino dos povos. Dois exemplos claros desse tipo de julgamento aparecem nos oráculos de Habacuque e de Amós.
“Porque você saqueou muitas nações, todos os povos que restaram o saquearão. Pois você derramou muito sangue, e cometeu violência contra terras, cidades e seus habitantes” (Habacuque 2:8).
“Assim diz o Senhor: ‘Por três transgressões de Moabe, e ainda mais por quatro, não anularei o castigo. Porque ele queimou até reduzir a cinzas os ossos do rei de Edom” (Amós 2:1).
Orgulho e Soberba. A arrogância e o sentimento de poder total, independência completa do Soberano de toda a terra são fortemente condenados, como se vê na teologia dos salmos. As nações que apresentam esse perfil terão grande castigo. Um exemplo nítido é o rei de Tiro, descrito em Ezequiel 28.
“Filho do homem, diga ao governante de Tiro: Assim diz o Soberano, o Senhor: ‘No orgulho do seu coração você diz: ‘Sou um deus; sento-me no trono de um deus no coração dos mares’. Mas você é um homem, e não um deus, embora se considere tão sábio quanto Deus” (Ezequiel 28:2).
Quebra de fraternidade. A lealdade entre irmãos é fundamental para a manutenção da vida social. Nações irmãs ou parentes de Israel ou Judá não poderiam ter desprezado seu parentesco por causa de ganância ou maldade. Também são dignas de grande punição. Esse é o caso de Edom, descendente de Esaú, irmão de Jacó, condenado em Amós.
“Assim diz o Senhor: ‘Por três transgressões de Edom, e ainda mais por quatro, não anularei o castigo. Porque com a espada perseguiu seu irmão, e reprimiu toda a compaixão, mutilando-o furiosamente e perpetuando para sempre a sua ira, porei fogo em Temã, e as chamas consumirão as fortalezas de Bozra” (Amós 1:11,12).
Não resta dúvida de que a justiça e a universalidade de Deus, bem como sua ação redentora na história de Israel são os elementos condutores na profecia de Isaías e dos demais profetas literários. Para entender bem o profeta Isaías, é preciso observar bem o contexto de sua época. Seu ministério se deu entre os anos 740-680 aC. Conforme o texto, Isaías profetizou nos reinados de “Uzias, Jotão, Acaz e Ezequias, reis de Judá” (1:1). Seu chamado profético tem início no ano que o rei Uzias (792-740) morreu (6:1,8). Mas, é possível que ele tenha começado na última década do reinado de Uzias. Como Isaías menciona a morte de Senaqueribe, rei da Assíria, que morreu em cerca de 680 aC (Is 37:37,38), ele deve ter vivido além do reinado de Ezequias. A tradição diz que Isaías foi martirizado no reinado de Manassés. Acredita-se que a referência “serrados” em Hebreus 11:37 seja uma referência à morte de Isaías. Como Isaías começou a profetizar por volta de 740 aC, o seu ministério pode ter sido paralelo aos ministérios de Amós e Oseias em Israel, bem como o de Miqueias em Judá.
Isaías profetizou num período crucial da história de Judá e Israel. Os reinos do Norte e do Sul haviam experimentado cerca de meio século de poder e prosperidade crescentes. Israel, governado por Jeroboão I e outros seis reis de menor importância, caíra na idolatria; Judá, sob Uzias, Jotão e Ezequias, manteve lealdade formal a Deus, mas, gradualmente, entrou em declínio moral e espiritual (3:8-26). Lugares secretos de cultos idólatras eram tolerados; o rico oprimia o pobre; muitos sacerdotes e profetas eram bêbados e queriam apenas agradar homens (Is 5:7-12,18- 23; 22:12-14). Estava claro para Isaías que a aliança registrada por Moisés em Deuteronômios 30:11-20 havia sido inteiramente violada, que o cativeiro e o julgamento eram inevitáveis para Judá, assim como para Israel. Isaías entrou em seu ministério aproximadamente na época da expansão do Império Assírio. Com muito poder bélico e impetuosidade, a Assíria deu início a suas conquistas ao sul e ao oeste. O profeta, que percebeu o cenário mundial, viu que o conflito seria iminente e recebeu direção divina para falar sobre o que estava acontecendo.
Quando lemos Isaías 17, no contexto dos oráculos contra as nações (13-23), podemos entender o que está acontecendo. A profecia contra Damasco foi cumprida. A história da conquista da Síria pelos invasores assírios se cumpriu. Foi no ano 732 aC que o exército de Tiglate-Pileser III destruiu Damasco. É muito importante observar que isso aconteceu no final da guerra Siro-efraimita (Is 7), quando tanto Israel (Efraim) quanto a Síria caem diante do invasor poderoso. Veja no texto como Israel, juntamente com a Síria, também é julgado e cai na profecia de Isaías 17.
“Efraim deixará de ser uma fortaleza, e Damasco uma realeza; o remanescente de Arã será como a glória dos israelitas, anuncia o Senhor dos Exércitos. Naquele dia a glória de Jacó se definhará, e a gordura do seu corpo se consumirá. Será como quando um ceifeiro junta o trigo e colhe as espigas com o braço, como quando se apanhamos feixes de trigo no vale de Refaim” (Isaías 17:3-5).
O texto de Isaías 17 não é uma referência apocalíptica. Fala de uma profecia cumprida na história de Israel. O julgamento divino se cumpriu, e seu desfecho foi ainda mais terrível: A Assíria conquistou Samaria em 722 aC, e o Reino do Norte sucumbiu; conforme as palavras dos profetas de Deus.

sábado, 24 de fevereiro de 2018

A CEIA DO SENHOR

1 CORÍNTIOS 10.14-22
Esta seção da carta é aberta no capítulo 9 (vs. 19-­‐23), onde Paulo faz uma defesa do direito dos apóstolos e ao mesmo tempo, mostra que ele por livre vontade renunciou a todos esses direitos por causa do evangelho, para ganhar o máximo de pessoas para Cristo. Paulo então dá dois exemplos, um positivo, e um negativo, para demonstrar sua abnegação:
1.       Os atletas e seu extremo esforço para ganhar a coroa corruptível (vs. 24-­‐27)
2.       O povo de Israel no deserto que abdicou de seus privilégios pelo pecado (10.1-­‐5)
14 Διόπερ,  ἀγαπητοί  μου,  φεύγετε  ἀπὸ  τῆς  εἰδωλολατρίας*.  
A palavra Διόπερ aponta para o texto anterior onde Paulo recorda a história de Israel no deserto, durante o seu período de peregrinação, e de alguns eventos onde Israel objetiva-mente ofendeu ao Senhor com pecados do tipo imoralidade, idolatria, murmuração e tentou ao Senhor. Porém, tudo isso está no arcabouço de uma postura de incredulidade e de falta de sujeição aos caminhos que estavam sendo determinados por Deus naqueles momentos.
Ao mesmo tempo em que Deus dá o escape para a tentação de desprezarmos os nossos privilégios de liberdade desprezando os outros, a ordem imperativa agora é “fugi”, ou seja, Deus faz a parte Dele, portanto, faça a sua, não se exponha a tentação de se achar melhor que ninguém.
“A idolatria se pratica quando nós damos prioridade e devoção a todo e qualquer elemento que é tangível, visível e palpável, que nos conceda segurança e satisfação. É aquele objeto, que pode ser material, uma pessoa, um emprego ou status, no qual nós olhamos e sentimos que é aquilo que garante nossa felicidade”. (Wagner Palmiere)
15 ὡς  φρονίμοις  λέγω·  κρίνατε  ὑμεῖς  ὅ  φημι.  
Critério (φρονίμοις) – Paulo aqui ironiza o comportamento comum de alguns membros da Igreja de Corínto de por causa de sua sabedoria, percebendo que não era pecado comer carne sacrificada, zombarem dos que ainda não haviam adquirido tal conhecimento. Ou seja, ele demonstra que o mal uso dos privilégios, pode levar ao não desfrute da liberdade cristã. Dentro deste contexto, da tentação do mal uso da liberdade cristã que gera a idolatria, e a perigosa assimilação cultural advinda dela, Paulo usa a Ceia do Senhor como ilustração de qual é a visão correta.
16 Τὸ  ποτήριον  τῆς  εὐλογίας  ὃ  εὐλογοῦμεν,  οὐχὶ  κοινωνία  ἐστὶν  τοῦ  
αἵματς[jg1]   τοῦ  Χριστοῦ;  τὸν  ἄρτον  ὃν  κλῶμεν,  οὐχὶ  κοινωνία  τοῦ  σώματος[jg2]  τοῦ  Χριστoῦ  ἐστιν;  
17 ὅτι  εἷς  ἄρτος,  ἓν  σῶμα  οἱ  πολλοί  ἐσμεν·  οἱ  γὰρ  πάντες  ἐκ  τοῦ  ἑνὸς  ἄρτου  μετέχομεν[jg3] .  
18 βλέπετε  τὸν  Ἰσραὴλ  κατὰ  σάρκα·  οὐχ  οἱ  ἐσθίοντες  τὰς  θυσίας κοινωνοὶ τοῦ  θυσιαστηρίου  εἰσίν;  
Paulo aqui, está se referindo ao Israel histórico, a nação de Israel, fazendo um flash back de 10.6-­‐10 onde Israel é visto em idolatria (Êxodo 32). O objetivo dessa recordação é justamente observer na nação de Israel as consequências trágicas da desobediência.
“A linha de raciocínio de Paulo é a seguinte: Os cristãos que comem o pão na Ceia do Senhor, ao comerem, expressam a sua solidariedade com os outros e com Cristo. Da mesma forma como faziam os judeus, quando comiam a carne dos animais oferecidos nos sacrifícios (Deuteronômio 14.22-­‐29), expressando sua solidariedade com os outros e com Deus. Portanto, os cristãos que comem a carne oferecida aos deuses pagãos, como parte de um culto pagão, expressam a sua solidariedade com os pagãos e com as divindades pagãs”. (Thomas Costable)
19 τί  οὖν  φημι;  ὅτι  εἰδωλόθυτόν  τί  ἐστιν,  ἢ  ὅτι  εἴδωλόν  τί  ἐστιν;  
20 ἀλλ’  ὅτι  ἃ  θύουσιν,  (τὰ  ἔθνη)  δαιμονίοις  καὶ  οὐ  Θεῷ  θύουσιν·  οὐ  θέλω  δὲ  ὑμᾶς  κοινωνοὺς  τῶν  δαιμονίων  γίνεσθαι.  
21 οὐ  δύνασθε  ποτήριον  Κυρίου  πίνειν  καὶ  ποτήριον  δαιμονίων·  οὐ  δύνασθε  τραπέζης  Κυρίου  μετέχειν[jg4]   καὶ  τραπέζης  δαιμονίων.  
22   ἢ  παραζηλοῦμεν [jg5]  τὸν  Κύριον;  μὴ  ἰσχυρότεροι  [jg6] αὐτοῦ  ἐσμεν; 


 [jg1]Tradução é sangue
 [jg2]Tradução é corpo
 [jg3]Tradução é participante
 [jg4]Tradução participante
 [jg5]Tradução é provocar ciúmes.
 [jg6]Tradução é poderosos

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

O PECADO DE NÃO ORAR


O PECADO DE NÃO ORAR
Quanto a mim, longe de mim que eu peque contra o Senhor, deixando de orar por vós; antes vos ensinarei o caminho bom e direito (1 Sm12.23)

O pecado pode ocorrer basicamente de duas formas. A mais comum a de quem pratica o mal, e por isso, evidentemente, está pecando, sem nenhuma sombra de dúvida. Mas também é possível pecar deixando de praticar o bem que se pode realizar. É o que expressa Tiago, o irmão do Senhor: Aquele que sabe que deve fazer o bem e não o faz, nisso está pecando (Tg 4.17).
Há muitos cristãos, que de cristãos só têm o nome. Mas todos sabem que devem orar e precisam orar; que a oração é o poderoso fator de equilíbrio e vitória espiritual; que a oração é o assunto que permeia toda a Bíblia e que foi a poderosa arma usada por todos os servos de Deus, no decorrer da história; todos sabem que os profetas foram homens de oração e que Jesus, o Mestre, era o maior exemplo de oração em todos os tempos; que também os apóstolos reconheciam o valor da oração e o evidenciavam orando com regularidade. Todos os que atentam para a história do povo de Deus, sabem que os avivamentos que o mundo já viu, que o povo desfrutou, foram precedidos e sustentados pelas orações daqueles que tiveram coragem de enfrentar as forças diabólicas, orando a Deus com persistência e com fervor.
Você está observando atentamente nesta mensagem deixada para nós pela história? Você reconhece e admite a veracidade bíblica e histórica do que estamos dizendo aqui? Acha que a oração é tudo isto que estamos ensinando? Mais algumas perguntas, e estas exigem muita sinceridade na resposta. Você está orando? Como está sendo a sua oração? Está orando com regularidade? Está orando continuamente? As suas orações, qual incenso de aroma agradável, estão subindo ao céu? O anjo de Deus poderá dizer da sua oração o que disse a oração de Cornélio, que ainda não era um membro da igreja: As tuas orações subiram para memória diante de Deus?
Por que não orar é pecado? Primeiro, porque é mandamento de Jesus. O Senhor disse: Vigiai e orai. Paulo ensina: Orai sem cessar, e também: Perseverai em oração, velando nelas com ações de graças. Segundo, porque orar por nós mesmos, e uns pelos outros, é o meio mais seguro para vencermos todo o mal e alcançarmos o céu. Porque orar e interceder, como diz a Bíblia, por todos os homens, é o meio divino de ajudá-los e de expressar o nosso amor por aqueles a quem Deus ama e quer salvar.

Não orar é pecado, porque não orar é o caminho certo para uma vida espiritual raquítica, falida e infrutífera. Não orar é o caminho seguido por muitos que fracassaram e deixaram de si uma história triste e um exemplo demolidor. Não orar tem sido o caminho pelo qual muitos se distanciaram da Igreja de Deus, e morreram no pecado e estão perdidos para sempre. Não siga tal caminho. Desperte enquanto é tempo. Se você peca deixando de orar, poderá pecar de muitas outras maneiras. Não peque deixando de orar. Desperte. Como está escrito: Desperta, ó tu que dormes, levanta-te de entre os mortos, e Cristo te iluminará (Ef 5.14). Ore. Ore mais. Quem mais ora, mais poder tem para enfrentar as adversidades da vida!

sábado, 9 de dezembro de 2017

RECOMENDAÇÕES PARA A VIDA DE UM PASTOR INCIPIENTE.

2 TIMÓTEO 2.1-7
            Todo bom pastor é incipiente, isto é, alguém que está iniciando, começando, aprendendo. Essa postura nos torna homens mais fortes e seguros em nossa trajetória de anunciar a Cristo como Senhor e Salvador.

            Tenho aprendido em minha incipiente caminhada, que nunca é tarde para ouvir e é sempre melhor ser tardio para falar, assim sendo, prefiro atirar no alvo e errar a atirar mirando o nada, e acertar.

            Em minha primeira clinica pastoral, ao esperar minha ovelha fragilizada me preparei com um cabedal de respostas prontas e preparadas. Mas, quando a ouvi percebi que o maior conselho que um pastor pode dar é: Andemos juntos com Cristo! Mas meus conselhos são insignificantes, vamos para a palavra teopneustos, pois é nela que encontramos o que de fato é melhor para nossos corações.

            Paulo inicia os ensinamentos de Timóteo o chamado de Filho e lhe dando um dos maiores ensinamentos para vida daquele homem e para nós pastores iniciantes e também servos de Deus.

1.    Portanto, você, meu filho, fortifique-se na graça que há em Cristo Jesus. 2Timóteo 2.1
Fortifique-se – no original grego temos o presente do imperativo que significa fortificar, revigorar, dar energia, adquiri força, ser forte. Portanto, temos aqui a ideia de fortalecimento sempre renovado, devido o uso do presente imperativo, que indica ação linear ou continua. Trata-se do fortalecimento do homem interior, a fim de que estejamos preparados para as lutas. E esse fortalecimento está engendrado na Graça a capacidade dando por Deus através de Cristo que nos anima, nos fortalece, nos impulsiona e nos transforma.
No que diz respeito ao momentoso tema “crescimento de igrejas”, um extremo fica por conta da “numerolatria”, a idolatria dos números, e o outro é a “numerofobia”, o medo dos números. O primeiro encara o crescimento como um fim em si mesmo, com muita adesão e pouca conversão, muito ajuntamento e pouco arrependimento. O segundo encara o crescimento quantitativo como rival do crescimento qualitativo.
Em nossos ministérios mesmo seduzidos por essas formas e cardápios de um evangelho pobre, precisamos lembrar das palavras de Paulo a Timóteo, fortifique-se na Graça, isto mantenha-se em Cristo e somente nele.

2.    E as coisas que me ouviu dizer na presença de muitas testemunhas, confie a homens fiéis que sejam também capazes de ensinar a outros. 2Timóteo 2.2
Eu sou seu exemplo Timóteo! Esse é o grito que está intrínseco nessas palavras do apóstolo em sua caminhada é preciosa que você se coloque nesta posição para seu rebanho. Colocando-se como exemplo de Cristo. E ainda mais – que não sejamos centralizadores, acumuladores, egocêntricos, isto é, tramitamos a outros o que Cristo fez em nós com a intensão de que esses homens e mulheres sejam também divulgadores das boas novas. Há pastores centralizadores, que estão com seus ministérios em ruínas, mas sua visão egocêntrica e não compartilhadora, tem tirados suas forças e os secando. Não permita se escravizar, mas exerça seu ministério com alegria e sem gemer.

3.    Suporte comigo os sofrimentos, como bom soldado de Cristo Jesus. 2Timóteo 2.3
Esse versículo esta separado em duas orações, sendo que, a primeira oração é um convite a dividir a dores. Não sofro sozinho, não tente currar suas feridas com suas próprias, se de o direito de ser cuidado. E do mais estou aqui amigo, divida seu sofrimento comigo! Assim, Paulo pedia a Timóteo. Um pastor sábio é aquele que nuca deixa de ser pastoreado, por Deus e por um outro pastor. A segunda oração que começar com uma pergunta.
Será que sabemos o que de fato é ser um soldado de Jesus? Vejo muitos crentes com a camisa verde oliva das forças armadas do Brasil, com os dizeres soldados de Cristo. Bonito! Mas de fato somos esses homens e mulheres. Vejamos algumas características.
3.1. Um bom soldado conhece o seu inimigo - Muitos cristãos não estão familiarizados com este inimigo. O soldado de Jesus Cristo deve conhecer as estratégias de Satanás, como ele nos tenta, e como ele faz para que caiamos e nos afastemos da fé. Portanto, o bom soldado de Jesus Cristo conhece o seu inimigo.
3.2. Um bom soldado prepara sua vida para o sofrimento – Todo soldado é preparado psicologicamente para sofre e até morrer. Seja forte e prepara-se para os sofrimentos.
3.3. Um bom soldado pensa somente na vitória – a sua batalha precisa lhe fortalecer para que no final da guerra você e seus companheiros de peleja sejam mais do que vencedores. O maior de todos os tempos Jesus Cristo disse: Tenha bom anino eu venci o mundo! Isto é, conheça teu inimigo, seus sofrimentos serão grandes, mas você eu somos mais do que vitoriosos.

4.    Nenhum soldado se deixa envolver pelos negócios da vida civil, já que deseja agradar aquele que o alistou. 2Timóteo 2.4
Em sua caminhada com Cristo não se apaixone pelos seus feitos, mas sim com a obra redentora de Cristo. Não espere aplausos deste mundo, não corra atrás de sucesso pessoal, aniquile-se, seja o seu Espirito o de Cristo. Deseje profundamente agradar a Deus Pai.

5.    Semelhantemente, nenhum atleta é coroado como vencedor, se não competir de acordo com as regras. 2Timóteo 2.5
Todo atleta em tudo se domina; aqueles para alcançar uma coroa corruptível; nós, porém, a incorruptível. 1Corintios 9.25
Bem, o que está intrínseco é: Seja um homem ético, correto honesta. Aqui não está ligado a qualidade ser pastor com a intenção de ser um homem correto em Cristo.

6.    O lavrador que trabalha arduamente deve ser o primeiro a participar dos frutos da colheita. 2 Timóteo 2.6
Paulo fecha suas ilustrações a primeira é um soldado dedicado, a segunda um atleta e por último o lavrador - Ao contrário do soldado e do atleta, a vida do agricultor é “totalmente desprovida de emoção, distante de toda fascinação decorrente do perigo e do aplauso”. Contudo, a primeira parte da colheita pertence ao lavrador que trabalha. É seu direito. A boa produção deve-se mais a seu esforço e perseverança do que a qualquer outro fator. É por isso mesmo que o preguiçoso jamais será um bom agricultor, como ressalta o livro de Provérbios.
Labute, batalhe, mesmo sem as honras de um soldado, sem a coroa da vitória de um atleta, no fim você colhera as primícias.

7.    Reflita no que estou dizendo, pois, o Senhor lhe dará entendimento em tudo. 2 Timóteo 2.7
A palavra grega inicial deste versículo é noei, que significa, meditar acerca de, portanto, Paulo queria que Timóteo estivesse pronto para receber instruções, ponderando corretamente sobre essas instruções. Se em algum momento de sua caminhada lhe faltar entendimento, pois sei que faltará, peça ao Onisciente Deus e Ele lhe ajudará.

terça-feira, 31 de outubro de 2017

SOLA SCRIPITURA


SOLA SCRIPITURA

2 TIMÓTEO 3.10-17
A não ser que eu esteja convencido pelo testemunho das Escrituras ou pela razão clara (pois não confio nem no papa ou em concílios por si sós, pois é bem sabido que eles frequentemente erraram e se contradisseram) sou obrigado pelas Escrituras que citei e minha consciência é prisioneira da palavra de Deus. Não posso e não irei renegar nada, pois não é nem seguro e nem correto agir contra a consciência. Que Deus me ajude. Amém.[1]
A sudoeste da Alemanha, no Estado da Renânia-Palatinado, situa-se a cidade de Worms, que é conhecida pela fabricação do vinho branco Liebfraumilch, por suas indústrias químicas e metalúrgicas e por ter sediado, em 28 de janeiro de 1521, uma assembleia, convocada pelo imperador Carlos V, que julgava Martinho Lutero por crimes cometidos contra a Igreja Católica: foi a chamada dieta de Worms.
A palavra dieta vem do latim díaita (modo de viver). Segundo o dicionário Michaelis, “dieta” tem dois significados: regime alimentício e assembleia política ou administrativa. Fiquemos com a segunda definição.
Lutero se salvou da pena de morte (veio a morrer em 1546 de morte natural), mas foi excomungado. Suas palavras contra a cobrança de indulgências (salvação) e à simonia[2] (vendas de artigos religiosos falsamente sagrados) abalaram os pilares da Igreja Católica, tornando-a mais humana e menos capciosa, e influenciaram no surgimento da Igreja Protestante. A mesma que, hoje, vende o óleo santo, obriga o dízimo e julga em vão.
O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não hão de passar. (Mateus 24.35)
Em outras palavras,                                
Mas, esclareçamos. Como cristão reformado, quando eu uso a expressão Sola Scriptura não estou negando que a Palavra de Deus, a princípio, foi transmitida oralmente, antes de ser escriturada. Também não estou negando que Deus se revelou à humanidade na natureza, por meio das coisas criadas (revelação geral, embora não salvífica) e nem estou reduzindo a atividade do Espírito Santo nos crentes ao momento de leitura da Bíblia. Nem nego a necessidade de pastores, mestres e evangelistas. Eu também não estou dizendo que a Bíblia é sempre clara em todas as suas partes e menos ainda que ela é exaustiva.
Quando os cristãos reformados declaram “Sola Scriptura!” eles estão dizendo fundamentalmente que a palavra que Deus falou através dos séculos através de pessoas que ele escolheu e inspirou, na qual Ele se revelou e revelou sua vontade para seu povo, se encontra agora somente nas Escrituras Sagradas, e em nenhum outro lugar. Esta revelação escrita é suficientemente clara em matérias pertinentes à salvação e santificação do povo de Deus e suficiente para que se conheça a Deus e a sua vontade
Em outras palavras, Sola Scriptura significa que a única regra de fé e prática para os cristãos são as Escrituras Sagradas do Antigo e do Novo Testamento, pela simples razão de que elas, e somente elas, são inspiradas por Deus. A tradição oral, os pronunciamentos dos concílios e líderes religiosos e as opiniões de teólogos não são. Eles podem ser úteis em nossa compreensão das Escrituras e das origens do Cristianismo, bem como nas aplicações de seus princípios às questões de nossos dias, quando não contradizem as Escrituras. Contudo, nenhum deles é a base e o fundamento para minha fé e as minhas práticas. Assim, eu não tenho nenhum problema em aceitar uma tradição oral desde que se possa demonstrar que ela tem origem no ensino dos apóstolos. Da mesma forma, aceito os ensinos dos Pais da Igreja que comprovadamente estão de acordo com os escritos do Novo Testamento.
Da mesma maneira, “revelações” e “profecias” que pretendem adicionar alguma coisa à Escritura, ou que a contradizem, são, como disse Jeremias, meros sonhos e ilusões de profetas que não têm o Espírito de Deus (Jer 23:9-40), pois “o testemunho de Jesus é o espírito da profecia” (Ap 19.10).
É claro que não vamos encontrar o slogan Sola Scriptura na Bíblia, pelo menos não como uma frase ou declaração. Mas existem evidências claras o suficiente para aceitarmos que, ao dizer que sua consciência estava cativa somente à palavra de Deus, Lutero estava expressando um princípio amplamente exposto nas Escrituras. Para quem quiser depois consulta-los, acredito que os textos abaixo deixam claro que já há nas próprias Escrituras uma compreensão de que elas são inspiradas por Deus e que nelas Deus fala de maneira autoritativa e suficiente para seu povo:
Jo 5.24; Jo 20.30-31; 2Pe 1.20-21; 2Tm 3.14-17; 1Co 14.37-38; 1Ts 4.8; 2Ts 3.14; 2Pe 3.15-16; Sl 19.7-9; Is 8.19-20; Jo 10.35; Rm 15.4; Hb 4.12; Ap. 22.18-19.
Há outras, mas estas bastam para mostrar que: (1) há uma clara consciência do conceito de Escritura como sendo o meio pelo qual Deus fala; (2) as Escrituras são consideradas, portanto, como a autoridade final nas coisas concernentes a Deus e nossa relação com ele e com os outros; (3) que nenhuma outra fonte de autoridade pode ser colocada ao lado das Escrituras.
É em passagens assim que os cristãos reformados se baseiam para dizer que é somente nas Escrituras que Deus nos fala de maneira autoritativa e final. E portanto, nossa consciência está cativa somente a elas. Enfim, Sola Scriptura.



[1] Lutero na Assembleia de Worms.
[2] compra ou venda ilícita de coisas espirituais (como indulgências e sacramentos) ou temporais ligadas às espirituais (como os benefícios eclesiásticos).

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