sexta-feira, 11 de maio de 2018

A GÊNESE DO DIA DAS MÃES


Dia das Mães está aí. Festa para uns, vazio para outros, lucro para comerciantes... mas vale recordar a origem da data que tem mais de cem anos.  
Poucos sabem que a gênese nada tem a ver com a tradicional referência às "rainhas do lar" ou com a intensa venda de produtos e presentes.
O Dia das Mães foi criado devido à atuação de mulheres/mães cristãs em causas sociais. Foi uma evangélica metodista de West Virginia, Estados Unidos, a ativista social Anna Reeves Jarvis, mãe de doze filhos, que começou a articular eventos que reuniam mães em torno de demandas sociais.  
Jarvis criou em 1858 os Clubes "Dias de Trabalho das Mães" que atuavam pela diminuição da mortalidade de crianças de famílias de trabalhadores. Anos depois, a ativista organizou o Dia da Amizade das Mães, para reunir famílias e vizinhos separados com a Guerra Civil dos EUA, e para ações solidárias com os feridos.
Depois da morte de Anna Jarvis, em 1905, uma de suas filhas, que tinha o mesmo nome, foi quem militou para a oficialização de um dia nacional das mães. Anna Jarvis filha queria honrar a memória da mãe ativista social com um ato pela paz e com isso prestar homenagem a todas as mães.
A campanha pelo Dia das Mães oficial começou com a realização de cultos, inicialmente na Igreja Metodista, depois em outras igrejas, no segundo domingo de maio. Isso se deu em anos seguidos e em cidades diferentes. Como houve grande adesão, o segundo domingo de maio foi instituído por lei nos EUA, em 1914, como Dia das Mães.
Transformado a cada ano em evento fortemente comercial, o sentido do Dia das Mães sonhado pela filha da cristã metodista atuante pelas causas sociais foi apagado rapidamente.
Mais de cem anos depois da primeira comemoração oficial do Dia das Mães, pode parecer vã qualquer nova campanha pela recuperação do seu sentido original. Não deixa, porém, de ser um bom exercício pensar na data de forma menos estereotipada e comercial. Não seria um meio de honrar mães, presentes e ausentes, destacar aquelas que, como a Anna Jarvis do passado, são ativistas na promoção da vida e da paz?

terça-feira, 24 de abril de 2018

CRENÇA FÁCIL VERSUS FÉ SALVÍFICA




Há muitas pessoas que rebaixam o que é a fé salvífica, tornando-a uma mera decisão destituída de mudança do que alguém deseja e busca. Eu aprendi que é possível continuar a guardar rancor se a sua fé simplesmente significa que você olhou para trás para a cruz e concluiu que está fora de perigo. Tenho sido compelido a me aprofundar no que é a verdadeira fé. É estar satisfeito com tudo o que Deus é para nós em Jesus. A fé olha para trás não apenas para descobrir que está livre de perigos, mas para provar e ver o tipo de Deus que nos oferece um futuro de infinitos ​​amanhãs reconciliados em comunhão com ele.
Vamos caminhar no texto e expor o Deus tem para nos mostrar.
Ø  Mais uma vez, ele visitou Caná da Galiléia, onde tinha transformado água em vinho. E havia ali um oficial do rei, cujo filho estava doente em Cafarnaum. Quando ele ouviu falar que Jesus tinha chegado à Galiléia, vindo da Judéia, procurou-o e suplicou-lhe que fosse curar seu filho, que estava à beira da morte. (João 4.46-47)

Ø  Ηλθε λοιπον ο Ιησους παλιν εις την Κανα της Γαλιλαιας, οπου εκαμε το υδωρ οινον. Και ητο τις βασιλικος ανθρωπος, του οποιου ο υιος ησθενει εν Καπερναουμ· ουτος ακουσας οτι ο Ιησους ηλθεν εκ της Ιουδαιας εις την Γαλιλαιαν, υπηγε προς αυτον και παρεκαλει αυτον να καταβη και να ιατρευση τον υιον αυτου· διοτι εμελλε να αποθανη. (João 4.46-47)

O termo traduzido por "oficial do rei" é basilikos em grego, que em geral se refere a algo ou alguém associado com a realeza — traje real (At 12.21), território real (At 12.20) e lei real (Tg 2.8). Talvez o homem fosse membro da família estendida de Herodes Antipas; no entanto, é mais provável que servisse como oficial na corte real. Independentemente do que fosse, ele era um homem com influência, riqueza e privilégio, detentor de relevante autoridade. Com certeza, sua vinda para ver Jesus não passou despercebida. E seu comportamento não se adequa à sua posição. Seu filho está à beira da morte em Cafarnaum, e esse pai "rogou" a Jesus para fazer a jornada. Essa é uma boa tradução do verbo grego no tempo imperfeito, que descreve a ação que é ou contínua ou repetitiva. O oficial, na urgência da doença do filho, deixou de lado qualquer dignidade e continuou a "suplic [ar]" que o Senhor fosse até seu filho.
Ø  Disse-lhe Jesus: "Se vocês não virem sinais e maravilhas, nunca crerão". (João 4:48)
Ø  Ειπε λοιπον ο Ιησους προς αυτον· Εαν δεν ιδητε σημεια και τερατα, δεν θελετε πιστευσει. (João 4.48)
Jesus respondeu com uma reprimenda que parece dura. "Vocês" (NVI) é exatamente o plural de "você" no grego, identificando o homem com um grupo de pessoas. Quem especificamente é impuro? Em geral, os galileus? Pessoas associadas com a família real? Como o homem era um judeu da aristocracia, é muito provável que ele fosse um saduceu, que não acreditava que Deus interviesse nos assuntos humanos. Os saduceus acreditavam que cada pessoa cria seu próprio destino e, por conseguinte, merece o que o destino lhe reserva, incluindo a doença, a pobreza e a morte.
Um saduceu implorar a Jesus por um milagre seria uma ironia notável. Como o homem era um galileu entre galileus, também é provável que Jesus estivesse notando um padrão sutil no pensamento deles que, mais tarde, se tornaria inconfundível (6.26,27). O homem queria desesperadamente que Jesus "fosse e curasse seu filho" (grifo do autor). Isso sugere que ele via limitação no poder de Jesus, limitação essa que o impedia de curar de uma grande distância. Além disso, ele se permitiu dizer a Jesus como conduzir a cura, em vez de apenas confiar o cuidado de seu filho ao Senhor. E, mais importante, ele procurou Jesus como um meio para conseguir o que queria, não como o Messias que merece adoração.
O oficial do rei disse: "Senhor, vem, antes que o meu filho morra".
Ø  Jesus respondeu: "Pode ir. O seu filho continuará vivo". O homem creu na palavra de Jesus e partiu. (João 4.49-50)

Ø  Λεγει προς αυτον ο βασιλικος· Κυριε, καταβα πριν αποθανη το παιδιον μου. Λεγει προς αυτον ο Ιησους· Υπαγε, ο υιος σου ζη. Και επιστευσεν ο ανθρωπος εις τον λογον, τον οποιον ειπε προς αυτον ο Ιησους, και ανεχωρει. (João 4.49-50)
O oficial do rei não desistiria. Ele, ao enfrentar esse tipo de situação desesperadora, não era um aristocrata, um oficial; um saduceu, nem mesmo um galileu. Ele era primeiro e acima de tudo um pai doente de preocupação com seu filho moribundo. Jesus usou o estado vulnerável da mente do homem para ensinar a ele a fé genuína. Ele disse de fato: "Vai cuidar dos seus negócios; o seu filho está bem. João diz que o homem "creu na palavra que Jesus lhe dissera". Que relevante! "Crer" é o principal traço da narrativa de João; no entanto, "crer" não é necessariamente confiar em Jesus como Messias e Salvador. Quando João usa o verbo "crer" sem um objeto — como em e muitos outros creram (1.7,50; 3.12,15; 4.41) —, ele descreve a fé salvífica, a confiança em Jesus como Salvador. O homem creu que jesus disse era verdade, o que é um importante primeiro passo, mas não é a mesma fé que salvou os samaritanos (4.41).
Fica claro que para esse pai a palavra do Senhor é suficiente. João diz que ele "partiu" ou "continuou". É o mesmo verbo usado antes pelo Senhor para "ir".
Ø  Estando ele ainda a caminho, seus servos vieram ao seu encontro com notícias de que o menino estava vivo. Quando perguntou a que horas o seu filho tinha melhorado, eles lhe disseram: "A febre o deixou ontem, à uma hora da tarde". (João 4.51-52)

Ø  Ενω δε ουτος ηδη κατεβαινεν, απηντησαν αυτον οι δουλοι αυτου και απηγγειλαν λεγοντες οτι ο υιος σου ζη. Ηρωτησε λοιπον αυτους την ωραν, καθ' ην εγεινε καλητερα. Και ειπον προς αυτον οτι Χθες την εβδομην ωραν αφηκεν αυτον ο πυρετος. (João 4.51-52)
Alguém que ler essas palavras muito depressa pode pensar que a palavra "partiu” (Verbo grego é eporeueto – ia indo), em 4.50, significa que o homem começou a jornada para casa. Uma reação natural seria correr para casa a fim de verificar se o menino estava de fato melhor. Mas um exame atento dos detalhes da frase revela uma história diferente. O homem não foi correndo para Cafarnaum. Ele foi cuidar de seus negócios em Caná. Como sabemos disso?
Ao juntar vários indícios. Conforme mencionado antes, Cafarnaum não fica a mais que seis horas de caminhada ou duas horas de carro. (Os ricos não caminhavam quando tinham recursos para ir a cavalo!) Enquanto o homem voltava para casa, seus servos o encontraram trazendo a notícia de que seu filho se recuperara. Observe a hora da cura: sétima hora (13 horas) ... de ontem. O pai só foi para casa no dia seguinte de seu encontro com Jesus. Jesus disse: "Vai cuidar dos seus negócios [tradução livre]", e o homem fez exatamente isso.
Ø  Então o pai percebeu que aquela fora exatamente a hora em que Jesus lhe dissera: "O seu filho continuará vivo". Assim, creram ele e todos os de sua casa. Esse foi o segundo sinal miraculoso que Jesus realizou, depois que veio da Judéia para a Galileia. (João 4.53-54)

Ø  Ενοησε λοιπον ο πατηρ οτι εγεινε τουτο κατ' εκεινην την ωραν, καθ' ην ο Ιησους ειπε προς αυτον οτι Ο υιος σου ζη· και επιστευσεν αυτος και ολη η οικια αυτου. Τουτο παλιν δευτερον θαυμα εκαμεν ο Ιησους, αφου ηλθεν εκ της Ιουδαιας εις την Γαλιλαιαν. (João 4.53-54)
Quando percebeu que a febre do filho cedera na mesma hora em que Jesus declarara que o menino estava curado, o homem creu. Observe a ausência de qualquer objeto direto. Enquanto antes ele "creu na palavra que Jesus lhe dissera", agora ele simplesmente "creu". Esse é o tipo de fé que leva a pessoa a ter um relacionamento certo com Deus por intermédio de seu Filho, Jesus. Essa fé ultrapassa a mera aceitação da mensagem dele para confiar em Jesus como Salvador, Messias e Filho de Deus. O homem creu no Salvador junto com toda a sua família.

quinta-feira, 29 de março de 2018

IGREJA MORRE?



“POR QUE UMA IGREJA MORRE?” Esse foi o questionamento feito por um garoto de doze anos a um velho pastor. Com os olhos marejados de água, enquanto folheava as páginas da Bíblia, o ancião dizia ao garoto: “Os cristãos cometem muitos enganos nesse assunto. Muitos pensam que a igreja morre em consequência dos ataques de Satanás. Mas o inferno não tem poder para destruir a igreja. Pelo contrário; diante da igreja, são as portas do inferno que não podem prevalecer. O maior inimigo da igreja não são os demônios nem alguma ausência de atividade evangelística, nem alguma deficiência no ensino, nem algum tipo de problema financeiro, mas as divisões entre os crentes. Jesus afirmou que um reino dividido não pode subsistir (Marcos 3.24). Assim, se a igreja está dividida, ela não consegue sobreviver. Antes, ela morre.”
O apóstolo Paulo sabia que a morte de uma igreja acontecia como consequência das divisões. Por isso mesmo, tão intensamente, ele alertou a igreja de Corinto sobre esse assunto. Em I Coríntios 1.10-17 ele escreveu sobre isso. Nas suas palavras contra a divisão, Paulo apontava para o próprio Senhor Jesus: Cristo não estava dividido e, por isso, nós, os cristãos, devemos lutar contra as divisões.
1.      DEVEMOS LUTAR CONTRA A DIFERENÇA NA LINGUAGEM
Uma das causas da multiplicação das divisões é a diferença na linguagem. Se as pessoas de uma comunidade começam a não concordar naquilo que falam, essa comunidade corre um sério risco de morrer. Paulo sabia disso. Por isso, quando escreveu para os crentes de Corinto, ele alertou: “Irmãos, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, suplico a todos vocês que concordem uns com os outros no que falam, para que não haja divisões entre vocês, antes, que todos estejam unidos num só pensamento e num só parecer.” (I Coríntios 1.10)
A diferença na linguagem acontece quando os cristãos começam a enfatizar um único ensinamento em detrimento dos demais ensinamentos da Escritura. É como se um grupo começasse a enfatizar somente a batalha espiritual; outro, somente a teologia sistemática; um terceiro grupo, somente missões; outro, somente a cura divina; um quinto enfatizasse somente as células; outro, somente a importância do seminário; e assim por diante. São vários grupos distintos dentro da igreja dizendo que os seus ensinamentos são os mais importantes e os mais relevantes, anunciando somente as suas linguagens características. Inconscientemente, eles vão promovendo a divisão dentro da igreja.
A sobrevivência da igreja depende da unidade na linguagem. Os cristãos dos primeiros séculos sabiam disso. Por isso, quando um crente se levantava trazendo algum ensinamento diferente daquele exposto na Bíblia ou que enfatizasse apenas um único aspecto da Bíblia, logo iniciava-se uma “movimentação santa”. Os crentes se reuniam e debatiam sobre aquele novo ensinamento até identificarem a posição das Escrituras e os problemas de se enfatizar apenas um único ponto. Eles não descansavam até que a linguagem fosse unificada dentro da igreja.
2.      DEVEMOS LUTAR CONTRA A ÊNFASE NO PARTIDARISMO
O ser humano tem uma tendência natural de se ligar aos grupos com os quais se identifica. Isso não é ruim; faz parte da nossa individualidade como seres humanos e a Bíblia não condena esse tipo de associação natural. Mas a Bíblia condena, sim, aquela associação que nasce a partir de divisões dentro de um determinado grupo. Ela condena as associações com ênfase no partidarismo, em que as pessoas valorizam o seu próprio grupo e desprezam os demais. Era isso que estava acontecendo dentro da igreja: as diferenças de linguagem estavam provocando divisões e promovendo partidarismos. (I Coríntios 1.12)
Esse tipo de postura só esvazia o significado de igreja, enfatiza a criação de partidos dentro da comunidade, faz nascer divisões entre as pessoas e enfraquece a igreja. Mas Cristo, o Cabeça da igreja, não está dividido. Por isso mesmo nós devemos lutar contra a ênfase no partidarismo.
3.      DEVEMOS LUTAR CONTRA A COMPETIÇÃO POR PESSOAS
Dentro das disputas na igreja de Corinto, os grupos procuravam se fortalecer, tentando conseguir o maior número possível de adeptos através dos batismos. Na cabeça deles, quando alguém batizava o batizado já era adepto do grupo desse alguém. E, absurdamente, esses grupos estavam promovendo essa competição, usando o nome de Paulo, de Apolo e de Pedro. Diante disso, Paulo pergunta: “Acaso Cristo está dividido? Foi Paulo crucificado em favor de vocês? Foram vocês batizados em nome de Paulo? Dou graças a Deus por não ter batizado nenhum de vocês, exceto Crispo e Gaio; de modo que ninguém pode dizer que foi batizado em meu nome (Batizei também os da casa de Estéfanas; além destes, não me lembro se batizei alguém mais). Pois Cristo não me enviou para batizar, mas para pregar o Evangelho.”
 (I Coríntios 1.13-17a).
Paulo mostra que era um absurdo as pessoas se dividirem em partidos e competirem por pessoas. Cristo não está dividido; por isso, devemos lutar contra a competição por pessoas. Devemos entender que as pessoas que chegam à igreja não nos pertencem, mas a Cristo. Nós somos apenas os vasos usados por Deus para ministrar o Evangelho àqueles que se convertem. Ainda que devamos ser modelos para as pessoas, devemos formar seguidores – não de nós mesmos, mas de Cristo. Se cada pessoa formar seguidores dela mesma, haverá várias linguagens, vários partidos e grande divisão dentro da igreja. Contudo, como afirmou o apóstolo Paulo, Cristo não está dividido.

Tito 3 - Análise Teológica Exegética e Contemporânea

  Deus nos salva por sua misericórdia e nos transforma em um povo dedicado ao bem. Essa é a ideia central de Tito 3, que reúne doutrina da s...