sábado, 14 de julho de 2018

A Aliança da Graça





"Porque o pecado não terá domínio sobre vós; pois não estais debaixo da lei, e, sim da graça." Romanos 6:14

A frase, "a aliança da graça" não aparece nas Escrituras, embora seja a expressão mais correta com respeito da nossa salvação. A característica maior da nova aliança é a graça de Deus.

"Sobreveio a lei para que avultasse a ofensa; mas onde abundou o pecado, super abundou a graça." Romanos 5:20

A palavra "graça" tem dois sentidos. Primeiro é a disposição divina de nos amar sem qualquer mérito da nossa parte; amor demonstrado pelo sacrifício de Jesus por nós. Segundo, a graça de Deus significa o poder do Espírito Santo que opera em nós, tornando-nos crentes dignos da nossa chamada.
Verificamos, mais uma vez, o contraste entre as   duas   alianças:   o   que   a  lei   exigiu   a   graça realiza; o que a velha prometeu, a nova produz; onde sobrou pecado na velha aliança, a graça ca­racteriza a nova. Vejamos a extensão da graça de Deus:

"Sendo justificados gratuitamente, por sua graça." Romanos 3:24
"Porque a lei foi dada por intermédio de Moi­sés; a graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo." João 1:17
"E se é pela graça, já não é pelas obras; do con­trário, a graça já não é graça." Romanos 11:6
"E estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo — ... porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus." Efésios 2:5, 8
"Que nos salvou e nos chamou com santa vo­cação; não segundo as nossas obras, mas con­forme a sua própria determinação e graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos eternos" II Timóteo 1:9

O que é a graça de Deus? É poder e força espiritual; é algo que nos foi dado por sermos in­capazes de produzir por conta própria. A graça de Deus é salvação, justificação, sustento, perdão. Somos salvos dos nossos pecados pela graça de Deus que opera em nós por Cristo Jesus.

AS TRÊS POSSIBILIDADES
Se a nova aliança se baseia na velha e a graça de Deus é consequência das promessas, da lei, restam três possibilidades para quem deseja seguir as recomendações Bíblicas: viver sob a lei como o povo de Israel, abandonar a escravidão da lei para viver inteiramente sob a graça de Deus, ou mistu­rar uma com a outra e tentar tirar "o melhor" das duas alianças.
O apóstolo Paulo teve o problema constante de orientar os novos crentes a respeito da morte da lei e a liberdade da nova aliança. Os "mensa­geiros de Satanás" que o seguiram queriam escravisar outra vez os que saíram da velha aliança e nas suas cartas Paulo afirmou que se entra na segunda aliança pela fé e pela graça de Deus.

"ó gálatas insensatos! Quem vos fascinou a vós outros, ante cujos olhos foi Jesus Cristo exposto como crucificado? Quero apenas saber isto de vós: recebestes o Espírito pelas obras da lei, ou pela pregação da fé?" Gaiatas 3:1, 2

A tentação de misturar a lei com a graça ainda existe. Há quem queira nos enganar com filosofias engenhosas sobre um dia especial para adoração, ou proibição quanto à comida de carne, ou leis externas sobre a santidade. Estes regula­mentos nada servem senão para destruir o poder da graça de Deus.
Não se pode misturar água com óleo, nem o leste com o oeste, nem a lei com a graça. A frase, "a lei Cristã" faz tanto sentido quanto a frase; "pecado espiritual". Tal coisa não existe. A salva­ção não vem pela obediência à lei, mas inteira­mente pela graça.

"Sois assim insensatos que, tendo começado no Espírito, estejais agora vos aperfeiçoando na carne?" Gaiatas 3:3

A graça que nos perdoa, nos santifica. A graça de Deus vive em contraste eterno com as obras da carne. Não pode haver mistura dos dois.
 E se é pela graça, já não é pelas obras; do contrário, a graça já não é graça." Romanos 11:6

Supliquemos que Deus abra os nossos olhos. Em a nova aliança, a graça de Deus é tudo; o sacrifício de Jesus é suficiente; a nossa parte é aceitar a provisão divina e obedecer a Deus pela fé.

"Graça e paz nos sejam multiplicadas." I Pedro 1

segunda-feira, 2 de julho de 2018

LIBERTANDO-SE DE UMA CEGUEIRA ESPIRITUAL (Marcos 3.1-6)


Um olho mau contra a maravilhosa obra de Deus, o que pôs fim na miséria humana! Isso mostra o verdadeiro caráter deles, a dureza de seu coração, a superficialidade da espiritualidade daqueles doutores da lei. "Para Deus em ação, essa cegueira no mundo pode ocorrer sempre que algum interesse ou tradição particular, que os homens elevam acima de tudo, é ameaçado"
            Como ilustração disso, lembremo-nos da ausência da igreja na oposição à servidão, nos tempos antigos e modernos. A condição econômica do mundo, bem como dos indivíduos na igreja, poderia ser debilitada se aquela horrenda prática fosse abolida. O dinheiro fecha a boca dos homens; e eles ainda não tinham suficiente desenvolvimento humanitário, quanto menos o espiritual, para ver como era péssima a escravatura. Assim é que hoje em dia muitos fazem do próximo seu "escravo do salário", e muitos crentes são culpados disso.
As vantagens pessoais e o lucro podem transformar os homens assim, e podem eles tornar-se opositores da obra de Deus no mundo. É quase sempre alguma forma de egoísmo que leva os homens a terem uma pequena visão da realidade espiritual e suas operações.
estavam observando..." O imperfeito é usado para indicar um processo contínuo. Seus olhos observavam, enquanto Jesus via o homem aproximar-se dele, chamá-lo para o centro etc. Eram olhos de ódio e inveja, baseados em dogmas deprimentes, cegados pelas tradições, embotados pelo ordinário, bitolados pelas convenções.
Jesus disse ao homem da mão atrofiada: "Levante-se e venha para o meio". (Marcos 3.3)
"Mediante esse ato, Jesus transferiu a atenção dos criticadores para o milagre que ele estava prestes a realizar. Não como um milagre, porém, e, sim, como um caso que envolvia o princípio em disputa, entre ele mesmo e eles, no tocante à cura em dia de sábado" (Gould, in loc.). "Então, com o homem de pé, na presença de todos, Jesus passou a catequizar os que só viam faltas" (Bruce, in loc.).
Depois Jesus lhes perguntou: "O que é permitido fazer no sábado: o bem ou o mal, salvar a vida ou matar? " Mas eles permaneceram em silêncio. (Marcos 3.4)
O argumento de Jesus é irresistível, do ponto de vista espiritual. No entanto, eles pensavam: "Poder-se-ia esperar até amanhã. Este não é um caso de emergência; e, de acordo com a lei, somente casos de emergência podem ser atendidos no sábado". Este versículo é o anúncio de um grande princípio espiritual, mediante o que os absurdos das tradições dos escribas foram postos de lado. Conforme Marcos 2.27, quanto à mesma questão: "O sábado foi estabelecido por causa do homem, e não o homem por causa do sábado". Portanto, sendo o homem a medida do sábado, certamente ele pôde receber cura espiritual naquele dia, o que visará definidamente ao seu benefício. Há um provérbio que diz: "Quanto melhor for o dia, tanto melhor será o feito". Que dia melhor poderia haver para urna cura feita por Deus, do que um dia separado para a honra de Deus?
"[...] salvar a vida ou tirá-la?..." Eles já tinham planejado homicídio em seu coração, e isso em dia de sábado. Não é impossível que Jesus tenha tecido referência, aqui, ao espírito assassino deles, que já estava em processo de desenvolvimento. Jesus estava prestes a curar; e eles estavam prestes a matar (ver o v. 6). Imensos hipócritas! Objetavam a milagres transmissores de vida em dia de sábado, mas, ao mesmo tempo, planejavam a morte de um homem bom. Em certo sentido, as necessidades humanas desconhecem leis. Certamente devem tomar precedência acima da maquinaria eclesiástica e dos preconceitos tradicionais. Jesus reputava o "não curar" com uma omissão temporária, o que era atitude dos escribas. Para ele, seria uma maldade positiva deixar de fazer o bem possível. Esse é um elevado raciocínio espiritual, algo estranho aos oponentes de Jesus. Em todas essas discussões Jesus figura como o emancipador do espírito humano, revelando princípios, ao invés de regras, como guia da conduta humana; e assim libertou todos os homens possuidores de tal atitude, das algemas da moralidade convencional.

Irado, olhou para os que estavam à sua volta e, profundamente entristecido por causa dos seus corações endurecidos, disse ao homem: "Estenda a mão". Ele a estendeu, e ela foi restaurada. (Marcos 3.5)
Então os fariseus saíram e começaram a conspirar com os herodianos contra Jesus, sobre como poderiam matá-lo. (Marcos 3.6)

A PACIÊNCIA DE DEUS



Tem-se escrito muito menos sobre esta excelência do caráter divino do que sobre as demais. Não poucos dos que têm se estendido largamente sobre os atributos divinos, deixaram de lado, sem nenhum comentário, a paciência de Deus. Não é fácil opinar sobre a razão disto, pois certamente a paciência de Deus é igualmente uma das perfeições divinas, como a Sua sabedoria, poder ou santidade, e igualmente digna de ser admirada e reverenciada por nós. É verdade que esse vocábulo não se acha numa concordância tantas vezes como os outros, mas a glória desta graça refulge em quase todas as páginas das Escrituras. O certo é que perdemos muito, se não meditamos com frequência na paciência de Deus e se não oramos fervorosamente, rogando que os nossos corações a ela se disponham mais completamente.
O mais provável é que a principal razão pela qual tantos escritores deixaram de dar-nos algo, separadamente, sobre a paciência de Deus, é a dificuldade em distinguir este atributo da bondade e da misericórdia divinas, particularmente desta última A longanimidade de Deus é mencionada repetidamente era conjunto com a Sua graça  e misericórdia,  como  se pode  verificar consultando Êxodo 34.6; Números 14.18; Salmo 86.15 etc.   Não se pode negar que a paciência de Deus é realmente uma demonstração da Sua misericórdia, na verdade um modo pelo qual está se manifesta frequentemente;  não se pode conceder, porém   que ambas sejam urna só e a mesma excelência e que não se possa separar uma da outra. Embora não seja fácil distinguir entre elas as Escrituras nos autorizam plenamente a afirmar sobre uma delas algumas coisas que não podemos afirmar sobre a outra.
Stephen Charnock, o puritano, define em parte a paciência de Deus assim: "É uma parte da bondade e da misericórdia divinas e, contudo, difere de ambas. Sendo Deus a maior bondade tem a maior brandura; a brandura é   sempre companheira   da bondade e, quanto maior a bondade, maior a brandura. Quem houve tão santo como Cristo, e tão gentil? A lentidão de Deus para a ira é um aspecto da Sua misericórdia: "... o Senhor (é) sofredor e de grande misericórdia" (Salmo 145.8; Atualizada, semelhante à versão da citação: "... o Senhor (é) tardio em irar-se e de grande clemência"). A paciência difere da misericórdia na consideração formal do objeto:  a misericórdia considera a criatura como infeliz, a paciência considera a criatura como criminosa; a misericórdia tem pena do ser humano em sua infelicidade a paciência tolera o pecado que gerou a infelicidade e deu nascimento a mais infelicidade ainda".
Pessoalmente, definimos a paciência divina como aquele poder de controle que Deus exerce sobre Si mesmo, levando-0 a tolerar os maus e a demorar-Se a castigá-los. Em Naum 1.3 lemos: “O Senhor e tardio em irar-se, mas grande em força...", sobre o qual disse o senhor Charnock: "Os homens que são grandes no mundo sofrem rápido impulso da paixão, e não se dispõem a perdoar logo, ou a tolerar um ofensor, como alguém de nível inferior. É a falta de poder sobre o próprio ego que os leva a fazer coisas impróprias sob provocação. Um príncipe capaz de sujeitar as suas paixões é um rei sobre si mesmo, bem como sobre os seus súditos. Deus é tardio em irar-Se porque é grande em força, Ele não tem menos poder sobre Si mesmo do que sobre as Suas criaturas'.
É na questão acima, pensamos nós, que a paciência de Deus se distingue mais claramente da Sua misericórdia. Embora a criatura seja beneficiada por ela, a paciência de Deus diz respeito principalmente a Si próprio, como uma restrição imposta por Sua vontade aos Seus atos, ao passo que a Sua misericórdia se esgota totalmente na criatura. A paciência de Deus é aquela excelência que O leva a suportar grandes ofensas sem vingar-Se imediatamente. Ele tem um poder de paciência, como também um poder de justiça. Assim, a palavra hebraica para "Longânimo" é traduzida por '"tardio em irar-se" em Neemias 9.17, Joel 2.13, etc. Não que haja quaisquer paixões na natureza divina, mas que à sabedoria e à vontade de Deus apraz agir com aquela dignidade e sobriedade que vem a ser a Sua exaltada majestade.
Em apoio de nossa definição acima, permita-me assinalar que foi para esta excelência do caráter divino que Moisés apelou, quando Israel pecou tão afrontosamente era Cades-Barnéia, e ali provocou ao Senhor tão dolorosamente. Ao Seu servo disse o Senhor: "Com pestilência o ferirei, e o rejeitarei..." (Números 14:12). Então foi que o mediador tipológico intercedeu: "Agora, pois, rogo-te que a força do meu Senhor se engrandeça; como tens falado, dizendo: O Senhor é Longânimo" (versículos 17 e 18). Portanto, a Sua "longanimidade"" ou paciência é a Sua "força" ou o Seu poder de autorrestrição.
Ainda em Romanos 9.22 lemos: "E que direis se Deus, querendo mostrar a sua ira, e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita paciência os vasos da ira, preparados para perdição". Se Deus imediatamente fizesse em pedaços estes vasos reprovados, o Seu poder de autocontrole não apareceria tão eminentemente; tolerando a iniquidade deles e lhes sobrelevando demoradamente o castigo, o poder da Sua paciência fica demonstrado gloriosamente. É verdade que os ímpios interpretam a paciência de Deus de maneira muito diferente - "Visto como se não executa logo o juízo sobre a má obra, por isso o coração dos filhos dos homens está inteiramente disposto para praticar o mal" (Eclesiastes 8:11) — mas o olhar ungido adora o que eles insultam.
"O Deus de paciência" (Romanos 15.5) é um dos títulos divinos. A Deidade é assim denominada, primeiro, porque Deus é tanto o Autor como o Objeto da graça da paciência na criatura. Segundo, porque é isto que Ele é em Si mesmo: a paciência é uma das Suas perfeições. Terceiro, como um padrão para nós: "Revesti-vos pois, como eleitos de Deus, santos, e amados, de entranhas de misericórdia, de benignidade, mansidão, longanimidade" (Colossenses 3.12). E ainda: "Sede pois imitadores de Deus como filhos amados" (Efésios 5.1). Quando tentado a aborrecer-se com a lerdeza doutrem, ou a vingar-se de alguém que o ultrajou, lembre-se da infinita paciência e longanimidade de Deus para com você.
A paciência de Deus se manifesta em Sua maneira de tratar os pecadores. Quão surpreendentemente foi demonstrada para com os antediluvianos. Quando a humanidade estava universalmente degenerada, e toda a carne havia corrompido os seus caminhos, Deus não a destruiu sem antes adverti-la. "... a longanimidade de Deus esperava..." (1 Pedro 3.20), Deus esperou não menos de cento e vinte anos (Gênesis 6.3), tempo durante o qual Noé foi "... pregoeiro da justiça... " (2 Pedro 2.5). Assim, mais tarde, quando os gentios não só cultuavam e serviam mais a criatura do que ao Criador, mas também cometiam as mais vis abominações contrárias até mesmo aos .ditames da natureza (Romanos 1.19-26), e com isso encheram a medida da sua iniquidade; todavia, em vez de desembainhar a Sua espada para o extermínio desses rebeldes, Deus "... deixou andar todas as gentes em seus próprios caminhos..." e lhes deu "... chuvas e tempos frutíferos..." (Atos 14.16-17).
A paciência de Deus foi maravilhosamente exercida e manifestada para   com   Israel.   Primeiro, Ele “...suportou os   seus costumes no deserto por espaço de quase quarenta anos (Atos 13.18). Posteriormente, quando os israelitas entraram em Canaã, mas seguiam os maus costumes das nações ao seu redor e pendiam para a idolatria, conquanto Deus os castigasse dolorosamente    não   os   destruiu   por   completo, mas   sim   em   sua   angustia, levantava libertadores para eles. Quando a sua iniquidade subiu a tal ponto que ninguém, senão um Deus de infinita paciência, poderia   suportá-los, Ele, não obstante, poupou-os   durante   muitos anos   antes de deixar que fossem levados para a Babilônia. Finalmente   quando a sua rebelião contra Ele atingiu o clímax pela crucificação de Seu Filho, Deus esperou quarenta anos, antes de enviar os romanos contra eles, e isso, só depois deles Julgarem que não eram "...dignos da vida eterna...     (Atos 13.46)
Quão maravilhosa é a paciência de Deus com o mundo hoje! Por toda parte as pessoas pecam a peito aberto. A lei divina é pisoteada e o próprio Deus é desprezado abertamente. É deveras espantoso que Ele não elimine de vez aqueles que tão descaradamente O desafiam. Por que Ele não corta da face da terra o infiel insolente e o escarnecedor verboso, como fez com Ananias e Safira?   Por que não faz a terra abrir a boca e devorar os perseguidores do Seu povo para que, à semelhança de Data e Abirão   fossem vivos para o Abismo? E que dizer da cristandade apóstata, em que todas as formas de pecado possíveis são agora toleradas e praticadas sob a capa do santo nome de_ Cristo? Por que a justa ira do Céu não põe fim a tais abominações? Somente uma resposta é possível: porque Deus tolera com muita paciência os vasos da ira, preparados   para   perdição (Romanos 9.22).
E que dizer do autor e do leitor? Façamos uma revisão em nossas vidas. Não transcorreu muito tempo desde quando nós seguíamos a multidão na prática do mal, não nos interessávamos nem um pouco pela glória de Deus e só vivíamos para gratificar o nosso ego. Quão pacientemente Ele tolerou a nossa conduta vil! E agora que a graça nos tirou como tições do fogo, dando-nos um lugar na família de Deus, e nos gerou para uma herança eterna na glória, quão miseravelmente Lhe retribuímos! Quão superficial a nossa gratidão, quão tardia a nossa obediência e quão frequentes as nossas apostasias! Uma razão pela qual Deus tolera que o crente permaneça carnal é que Ele possa demonstrar a Sua longanimidade para conosco (2 Pedro 3.9). Desde que este atributo divino só se manifesta neste mundo, Deus se empenha mais em mostrá-lo para com "os Seus".
Oxalá a nossa meditação nesta excelência divina abrande os nossos corações, enterneça as nossas consciências, e possamos aprender na escola da santa experiência a "paciência dos santos”, a saber, a submissão à vontade divina e a perseverança na prática do bem. Busquemos fervorosamente a graça que nos capacite a imitar está excelência divina. "Sede vós pois perfeitos, como é perfeito o vosso Pai que está nos céus'" (Mateus 5.48); no contexto imediato Cristo nos exorta a amar os nossos inimigos, a bendizer os que nos maldizem, a fazer o bem aos que nos odeiam. Deus tolera bastante os ímpios, apesar da multidão dos seus pecados; e nós, haveremos de querer vingar-nos por causa de uma única ofensa?

terça-feira, 29 de maio de 2018

A SOLIDÃO DE DEUS


    O título deste capítulo talvez não seja suficientemente claro para indicar o seu tema. Isto se deve, em parte, ao fato de que hoje em dia bem poucas pessoas estão acostumadas a meditar nas perfeições pessoais de Deus. Dos que leem ocasionalmente a Bíblia, bem poucos sabem da grandeza do caráter divino, que inspira temor e concita à adoração. Que Deus é grande em sabedoria, maravilhoso em poder, não obstante, cheio de misericórdia, muitos acham que pertence ao conhecimento comum; contudo, chegar-se a um conhecimento adequado do Seu Ser, Sua natureza, Seus atributos, como estão revelados nas Escrituras Sagradas, é coisa que pouquíssimas pessoas têm alcançado nestes tempos degenerados. Deus é único na excelência do Seu Ser. "Ó Senhor, quem é como Tu entre os deuses? Quem é como Tu glorificado em santidade, terrível em louvores, operando maravilhas?" (Êxodo  15:11).
    "No princípio... Deus..." (Gênesis 1:1). Houve tempo, se é que se lhe pode chamar "tempo", em que Deus, na unidade de Sua natureza, habitava só (embora subsistindo igualmente em três pessoas divinas). "No princípio... Deus...". Não existia o céu, onde agora se manifesta particularmente a Sua glória. Não existia a terra, que Lhe ocupasse a atenção, Não existiam os anjos, que Lhe entoassem louvores, nem o universo, para ser sustentado pela palavra do Seu poder. Não havia nada, nem ninguém, senão Deus; e isso, não durante um dia, um ano ou uma época, mas "desde sempre". Durante uma eternidade passada, Deus esteve só: completo, suficiente, satisfeito em Si mesmo, de nada necessitando.
Se um universo, ou anjos, ou seres humanos Lhe fossem necessários de algum modo, teriam sido chamados à existência desde toda a eternidade. Ao serem criados, nada acrescentaram a Deus essencialmente. Ele não muda (Malaquias 3:6), pelo que, essencialmente, a Sua glória não pode ser aumentada nem diminuída.
    Deus não estava sob coação, nem obrigação, nem necessidade alguma de criar. Resolver fazê-lo foi um ato puramente soberano de Sua parte, não produzido por nada alheio a Si próprio; não determinado por nada, senão o Seu próprio beneplácito, já que Ele "faz todas as coisas, segundo o conselho da sua vontade" (Efésios 1:11). O fato de criar foi simplesmente para a manifestação da Sua glória. Será que algum dos nossos leitores imagina que fomos além do que nos autorizam as Escrituras? Então, o nosso apelo será para a Lei e o Testemunho: "... levantai-vos, bendizei ao Senhor vosso Deus de eternidade em eternidade; ora bendigam o nome da tua glória, que está levantado sobre toda a bênção e louvor" (Neemias 9:5). Deus não ganha nada, nem sequer com a nossa adoração. Ele não precisava dessa glória externa de Sua graça, procedente de Seus redimidos, porquanto é suficientemente glorioso em Si mesmo sem ela. Que foi que O moveu a predestinar Seus eleitos para o louvor da glória de Sua graça? Foi, como nos diz Efésios 1:5, ".... o beneplácito de sua vontade".
    Sabemos que o elevado terreno que estamos pisando é novo e estranho para quase todos os nossos leitores; por esta razão faremos bem em andarmos devagar. Recorramos de novo às Escrituras. No final de Romanos capítulo 11, onde o apóstolo conclui sua longa argumentação sobre a salvação pela pura e soberana graça, pergunta ele: "Por que quem compreendeu o intento do Senhor? Ou quem foi seu conselheiro? Ou quem lhe deu primeiro a ele, para que lhe seja recompensado?" (vers. 34-35). A importância disto é que é impossível submeter o Todo-poderoso a quaisquer obrigações para com a criatura; Deus nada ganha da nossa parte. "Se fores justo, que lhe darás, ou que receberá da tua mão? A tua impiedade faria mal a outro tal como tu; e a tua justiça aproveitaria a um filho do homem" (Jó 35:7-8), mas certamente não pode afetar a Deus, que é bem-aventurado em Si mesmo. "...quando fizerdes tudo o que vos for mandado, dizei: Somos  servos  inúteis,   porque  fizemos  somente  o  que  devíamos fazer"   (Lucas   17:10)  — nossa  obediência não dá nenhum   proveito a Deus.
    De mais a mais, vamos além: nosso Senhor Jesus Cristo não acrescentou nada a Deus em Seu Ser essencial e à glória essencial do Seu Ser, nem pelo que fez, nem pelo que sofreu. É certo, bendita e gloriosamente certo, que Ele nos manifestou a glória de Deus, porém nada acrescentou a Deus. Ele próprio o declara expressamente, e não há apelação quanto às Suas palavra.; "... não tenho outro bem além de ti" (Salmo 16:2; na versão usada pelo autor, literalmente: "... a minha bondade não chega a Ti"). Em toda a sua extensão, este é um Salmo sobre Cristo. A bondade e a justiça de Cristo alcançou os Seus santos na terra (Salmo 16:3), mas Deus estava acima e além disso tudo, pois unicamente Deus é "o Bendito" (Marcos  14:61, no grego).
    É absolutamente certo que Deus é honrado e desonrado pelos homens; não em Seu Ser essencial, mas em Seu caráter oficial. É igualmente certo que Deus tem sido "glorificado" pela criação, pela providência e pela redenção. Não contestamos isso, e não ousamos fazê-lo nem por um momento. Mas isso tudo tem que ver com a Sua glória declarativa e com o nosso reconhecimento dela. Todavia, se assim Lhe aprouvesse, Deus poderia ter continuado só, por toda a eternidade, sem dar a conhecer a Sua glória a qualquer criatura. Que o fizesse ou não, foi determinado unicamente por Sua própria vontade. Ele era perfeitamente bem-aventurado em Si mesmo antes de ser chamada à existência a primeira criatura.   E,  que  são para Ele todas  as   Suas  criaturas,   mesmo agora? Deixemos outra vez que as Escrituras deem a resposta: "Eis que as nações são consideradas por ele como a gola dum balde, e como o pó miúdo das balanças: eis que lança por ai as ilhas como a uma coisa pequeníssima. Nem todo o Líbano basta para o fogo, nem os seus animais bastam para holocaustos. Todas as nações são como nada perante ele; ele as considera menos do que nada e como uma coisa vã. A quem pois fareis semelhante a Deus: ou com que o comparareis?"  (Isaías 40:15-18). Esse é o Deus das Escrituras; infelizmente Ele continua sendo o "Deus desconhecido" (Atos 17:23) para as multidões desatentas. "Ele é o que está assentado sobre o globo da terra, cujos moradores são para ele como gafanhotos; ele é o que estende os céus como cortina, e os desenrola como tenda para neles habitar; o que faz voltar ao nada os príncipes e torna coisa vã os juízes da terra" (Isaías 40.22-23). Quão imensamente diverso é o Deus das Escrituras do "deus" do púlpito comum!
    O testemunho do Novo Testamento não tem nenhuma diferença do que vemos no Velho Testamento; como poderia ser, uma vez que ambos têm o mesmo Autor! Ali também lemos: "A qual a seu tempo mostrará o bem-aventurado, o único poderoso Senhor, Rei dos reis e Senhor dos senhores; aquele que tem, ele só, a imortalidade, e habita na luz inacessível; a quem nenhum dos homens viu nem pode ver: ao qual seja honra e poder sempiterno. Amém" (1 Timóteo 6:15-16). O Ser que aí é descrito deve ser reverenciado, cultuado, adorado. Ele é solitário em Sua majestade, único em Sua excelência, incomparável em Suas perfeições. Ele tudo sustenta, mas Ele mesmo é independente de tudo e de todos. Ele dá bens a todos, mas não é enriquecido por ninguém.
    Um Deus tal não pode ser encontrado mediante investigação; só pode ser conhecido como e quando revelado ao coração Espírito Santo, por meio da Palavra. É verdade que a criação manifesta um Criador, e isso com tanta clareza, que os homens ficam "inescusáveis" (Romanos 1:20); contudo, ainda temos que dizer com Jó: "Eis que isto são apenas as orlas dos seus caminhos; e quão pouco é o que temos ouvido dele! Quem pois entenderia o trovão do seu poder?" (Jó 26:14). Cremos que o argumento baseado no desígnio, assim chamado, argumento apresentado por "apologetas" bem intencionados, tem causado mais dano que benefício, pois tenta baixar o grande Deus ao nível do entendimento finito e, com isso, perde de vista a Sua singular excelência.
Tem-se feito uma analogia com o selvagem que achou  um relógio e que. depois de um detido exame, inferiu a existência de um  relojoeiro.  Até aqui, tudo bem. Tentemos ir mais longe, porém. Suponhamos que o selvagem procure formar uma concepção pessoal desse relojoeiro, de seus afetos pessoais, de suas maneira, de sua   disposição,   conhecimentos  e  caráter   moral — de tudo aquilo que se junta para compor uma personalidade.  Poderia ele chegar a imaginar ou pensar num homem real o homem que fabricou o relógio — de modo que pudesse dizer: "Eu o conheço"? Fazer perguntas como esta parece fútil, mas estará o eterno e infinito Deus tanto mais ao alcance da razão humana? Realmente, não. O Deus das Escrituras só pode ser conhecido  por aqueles a quem  Ele próprio Se dá a conhecer.
Tampouco o intelecto pode conhecer a Deus. "Deus é espírito..." (João 4:24) e, portanto, só pode ser conhecido espiritualmente. Mas o homem decaído não é espiritual; é carnal, Está morto para tudo que é espiritual. A menos que nasça de novo, que seja trazido sobrenaturalmente da morte para a vida, miraculosamente transferido das trevas para a luz, não pode sequer ver as coisas de Deus (João 3:3), e muito menos entendê-las (1 Coríntios 2:14. E mister que o Espírito Santo brilhe em nossos corações (não no intelecto) para dar-nos o "... conhecimento da glória de Deus, na face de Jesus Cristo" (2 Coríntios 4:6). E até mesmo esse conhecimento espiritual é apenas fragmentário. A alma regenerada terá de crescer na graça e no conhecimento do Senhor  Jesus (2 Pedro 3:18).
A nossa principal oração e finalidade como cristãos deve ser que possamos "... andar dignamente diante do Senhor, agradando-lhe em tudo, frutificando em toda a boa obra, e crescendo no conhecimento de Deus" (Colossenses 1:10).

sexta-feira, 11 de maio de 2018

A GÊNESE DO DIA DAS MÃES


Dia das Mães está aí. Festa para uns, vazio para outros, lucro para comerciantes... mas vale recordar a origem da data que tem mais de cem anos.  
Poucos sabem que a gênese nada tem a ver com a tradicional referência às "rainhas do lar" ou com a intensa venda de produtos e presentes.
O Dia das Mães foi criado devido à atuação de mulheres/mães cristãs em causas sociais. Foi uma evangélica metodista de West Virginia, Estados Unidos, a ativista social Anna Reeves Jarvis, mãe de doze filhos, que começou a articular eventos que reuniam mães em torno de demandas sociais.  
Jarvis criou em 1858 os Clubes "Dias de Trabalho das Mães" que atuavam pela diminuição da mortalidade de crianças de famílias de trabalhadores. Anos depois, a ativista organizou o Dia da Amizade das Mães, para reunir famílias e vizinhos separados com a Guerra Civil dos EUA, e para ações solidárias com os feridos.
Depois da morte de Anna Jarvis, em 1905, uma de suas filhas, que tinha o mesmo nome, foi quem militou para a oficialização de um dia nacional das mães. Anna Jarvis filha queria honrar a memória da mãe ativista social com um ato pela paz e com isso prestar homenagem a todas as mães.
A campanha pelo Dia das Mães oficial começou com a realização de cultos, inicialmente na Igreja Metodista, depois em outras igrejas, no segundo domingo de maio. Isso se deu em anos seguidos e em cidades diferentes. Como houve grande adesão, o segundo domingo de maio foi instituído por lei nos EUA, em 1914, como Dia das Mães.
Transformado a cada ano em evento fortemente comercial, o sentido do Dia das Mães sonhado pela filha da cristã metodista atuante pelas causas sociais foi apagado rapidamente.
Mais de cem anos depois da primeira comemoração oficial do Dia das Mães, pode parecer vã qualquer nova campanha pela recuperação do seu sentido original. Não deixa, porém, de ser um bom exercício pensar na data de forma menos estereotipada e comercial. Não seria um meio de honrar mães, presentes e ausentes, destacar aquelas que, como a Anna Jarvis do passado, são ativistas na promoção da vida e da paz?

terça-feira, 24 de abril de 2018

CRENÇA FÁCIL VERSUS FÉ SALVÍFICA




Há muitas pessoas que rebaixam o que é a fé salvífica, tornando-a uma mera decisão destituída de mudança do que alguém deseja e busca. Eu aprendi que é possível continuar a guardar rancor se a sua fé simplesmente significa que você olhou para trás para a cruz e concluiu que está fora de perigo. Tenho sido compelido a me aprofundar no que é a verdadeira fé. É estar satisfeito com tudo o que Deus é para nós em Jesus. A fé olha para trás não apenas para descobrir que está livre de perigos, mas para provar e ver o tipo de Deus que nos oferece um futuro de infinitos ​​amanhãs reconciliados em comunhão com ele.
Vamos caminhar no texto e expor o Deus tem para nos mostrar.
Ø  Mais uma vez, ele visitou Caná da Galiléia, onde tinha transformado água em vinho. E havia ali um oficial do rei, cujo filho estava doente em Cafarnaum. Quando ele ouviu falar que Jesus tinha chegado à Galiléia, vindo da Judéia, procurou-o e suplicou-lhe que fosse curar seu filho, que estava à beira da morte. (João 4.46-47)

Ø  Ηλθε λοιπον ο Ιησους παλιν εις την Κανα της Γαλιλαιας, οπου εκαμε το υδωρ οινον. Και ητο τις βασιλικος ανθρωπος, του οποιου ο υιος ησθενει εν Καπερναουμ· ουτος ακουσας οτι ο Ιησους ηλθεν εκ της Ιουδαιας εις την Γαλιλαιαν, υπηγε προς αυτον και παρεκαλει αυτον να καταβη και να ιατρευση τον υιον αυτου· διοτι εμελλε να αποθανη. (João 4.46-47)

O termo traduzido por "oficial do rei" é basilikos em grego, que em geral se refere a algo ou alguém associado com a realeza — traje real (At 12.21), território real (At 12.20) e lei real (Tg 2.8). Talvez o homem fosse membro da família estendida de Herodes Antipas; no entanto, é mais provável que servisse como oficial na corte real. Independentemente do que fosse, ele era um homem com influência, riqueza e privilégio, detentor de relevante autoridade. Com certeza, sua vinda para ver Jesus não passou despercebida. E seu comportamento não se adequa à sua posição. Seu filho está à beira da morte em Cafarnaum, e esse pai "rogou" a Jesus para fazer a jornada. Essa é uma boa tradução do verbo grego no tempo imperfeito, que descreve a ação que é ou contínua ou repetitiva. O oficial, na urgência da doença do filho, deixou de lado qualquer dignidade e continuou a "suplic [ar]" que o Senhor fosse até seu filho.
Ø  Disse-lhe Jesus: "Se vocês não virem sinais e maravilhas, nunca crerão". (João 4:48)
Ø  Ειπε λοιπον ο Ιησους προς αυτον· Εαν δεν ιδητε σημεια και τερατα, δεν θελετε πιστευσει. (João 4.48)
Jesus respondeu com uma reprimenda que parece dura. "Vocês" (NVI) é exatamente o plural de "você" no grego, identificando o homem com um grupo de pessoas. Quem especificamente é impuro? Em geral, os galileus? Pessoas associadas com a família real? Como o homem era um judeu da aristocracia, é muito provável que ele fosse um saduceu, que não acreditava que Deus interviesse nos assuntos humanos. Os saduceus acreditavam que cada pessoa cria seu próprio destino e, por conseguinte, merece o que o destino lhe reserva, incluindo a doença, a pobreza e a morte.
Um saduceu implorar a Jesus por um milagre seria uma ironia notável. Como o homem era um galileu entre galileus, também é provável que Jesus estivesse notando um padrão sutil no pensamento deles que, mais tarde, se tornaria inconfundível (6.26,27). O homem queria desesperadamente que Jesus "fosse e curasse seu filho" (grifo do autor). Isso sugere que ele via limitação no poder de Jesus, limitação essa que o impedia de curar de uma grande distância. Além disso, ele se permitiu dizer a Jesus como conduzir a cura, em vez de apenas confiar o cuidado de seu filho ao Senhor. E, mais importante, ele procurou Jesus como um meio para conseguir o que queria, não como o Messias que merece adoração.
O oficial do rei disse: "Senhor, vem, antes que o meu filho morra".
Ø  Jesus respondeu: "Pode ir. O seu filho continuará vivo". O homem creu na palavra de Jesus e partiu. (João 4.49-50)

Ø  Λεγει προς αυτον ο βασιλικος· Κυριε, καταβα πριν αποθανη το παιδιον μου. Λεγει προς αυτον ο Ιησους· Υπαγε, ο υιος σου ζη. Και επιστευσεν ο ανθρωπος εις τον λογον, τον οποιον ειπε προς αυτον ο Ιησους, και ανεχωρει. (João 4.49-50)
O oficial do rei não desistiria. Ele, ao enfrentar esse tipo de situação desesperadora, não era um aristocrata, um oficial; um saduceu, nem mesmo um galileu. Ele era primeiro e acima de tudo um pai doente de preocupação com seu filho moribundo. Jesus usou o estado vulnerável da mente do homem para ensinar a ele a fé genuína. Ele disse de fato: "Vai cuidar dos seus negócios; o seu filho está bem. João diz que o homem "creu na palavra que Jesus lhe dissera". Que relevante! "Crer" é o principal traço da narrativa de João; no entanto, "crer" não é necessariamente confiar em Jesus como Messias e Salvador. Quando João usa o verbo "crer" sem um objeto — como em e muitos outros creram (1.7,50; 3.12,15; 4.41) —, ele descreve a fé salvífica, a confiança em Jesus como Salvador. O homem creu que jesus disse era verdade, o que é um importante primeiro passo, mas não é a mesma fé que salvou os samaritanos (4.41).
Fica claro que para esse pai a palavra do Senhor é suficiente. João diz que ele "partiu" ou "continuou". É o mesmo verbo usado antes pelo Senhor para "ir".
Ø  Estando ele ainda a caminho, seus servos vieram ao seu encontro com notícias de que o menino estava vivo. Quando perguntou a que horas o seu filho tinha melhorado, eles lhe disseram: "A febre o deixou ontem, à uma hora da tarde". (João 4.51-52)

Ø  Ενω δε ουτος ηδη κατεβαινεν, απηντησαν αυτον οι δουλοι αυτου και απηγγειλαν λεγοντες οτι ο υιος σου ζη. Ηρωτησε λοιπον αυτους την ωραν, καθ' ην εγεινε καλητερα. Και ειπον προς αυτον οτι Χθες την εβδομην ωραν αφηκεν αυτον ο πυρετος. (João 4.51-52)
Alguém que ler essas palavras muito depressa pode pensar que a palavra "partiu” (Verbo grego é eporeueto – ia indo), em 4.50, significa que o homem começou a jornada para casa. Uma reação natural seria correr para casa a fim de verificar se o menino estava de fato melhor. Mas um exame atento dos detalhes da frase revela uma história diferente. O homem não foi correndo para Cafarnaum. Ele foi cuidar de seus negócios em Caná. Como sabemos disso?
Ao juntar vários indícios. Conforme mencionado antes, Cafarnaum não fica a mais que seis horas de caminhada ou duas horas de carro. (Os ricos não caminhavam quando tinham recursos para ir a cavalo!) Enquanto o homem voltava para casa, seus servos o encontraram trazendo a notícia de que seu filho se recuperara. Observe a hora da cura: sétima hora (13 horas) ... de ontem. O pai só foi para casa no dia seguinte de seu encontro com Jesus. Jesus disse: "Vai cuidar dos seus negócios [tradução livre]", e o homem fez exatamente isso.
Ø  Então o pai percebeu que aquela fora exatamente a hora em que Jesus lhe dissera: "O seu filho continuará vivo". Assim, creram ele e todos os de sua casa. Esse foi o segundo sinal miraculoso que Jesus realizou, depois que veio da Judéia para a Galileia. (João 4.53-54)

Ø  Ενοησε λοιπον ο πατηρ οτι εγεινε τουτο κατ' εκεινην την ωραν, καθ' ην ο Ιησους ειπε προς αυτον οτι Ο υιος σου ζη· και επιστευσεν αυτος και ολη η οικια αυτου. Τουτο παλιν δευτερον θαυμα εκαμεν ο Ιησους, αφου ηλθεν εκ της Ιουδαιας εις την Γαλιλαιαν. (João 4.53-54)
Quando percebeu que a febre do filho cedera na mesma hora em que Jesus declarara que o menino estava curado, o homem creu. Observe a ausência de qualquer objeto direto. Enquanto antes ele "creu na palavra que Jesus lhe dissera", agora ele simplesmente "creu". Esse é o tipo de fé que leva a pessoa a ter um relacionamento certo com Deus por intermédio de seu Filho, Jesus. Essa fé ultrapassa a mera aceitação da mensagem dele para confiar em Jesus como Salvador, Messias e Filho de Deus. O homem creu no Salvador junto com toda a sua família.

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