sexta-feira, 10 de abril de 2020

𝐒Á𝐁𝐀𝐃𝐎 𝐃𝐄 𝐀𝐋𝐄𝐋𝐔𝐈𝐀


Em minha infância era o momento que mais gostava, fazíamos nosso "Judas" e corríamos pela rua na maior algazarra. Dávamos nome ao boneco, quase sempre era alguém que não gostávamos, mas era uma emoção única quando o momento de atearmos fogo chegava, muitas crianças correndo e rindo. Se tinha algo de inocente nessa brincadeira? Se era uma forma de "aliviar a tenção"? Na verdade apenas uma brincadeira de criança?
Hoje, vejo como uma brincadeira desnecessária e perigoso, estamos muito mais intolerantes, sem amor, egocêntricos.... Prefiro entender que, colocar a culpa em alguém é mais fácil do que assumir nossos próprios defeitos, culpar outrem é apenas aliviar o peso de meus erros e intolerância, apontar o dedo e comodo e confortável.
Usar judas para aliviar nossa indiferença diante da pessoa de Cristo, é ser tão ou pior que o mesmo. Jesus tinha sido sepultado à pressa ao fim do dia na sexta-feira, porque o sábado era um dia de descanso para os judeus. 𝐍𝐞𝐬𝐬𝐞 𝐝𝐢𝐚, 𝐧ã𝐨 𝐝𝐞𝐯𝐞𝐫𝐢𝐚𝐦 𝐟𝐚𝐳𝐞𝐫 𝐧𝐞𝐧𝐡𝐮𝐦 𝐭𝐫𝐚𝐛𝐚𝐥𝐡𝐨. 𝐏𝐨𝐫 𝐢𝐬𝐬𝐨, 𝐨𝐬 𝐝𝐢𝐬𝐜í𝐩𝐮𝐥𝐨𝐬 𝐟𝐢𝐜𝐚𝐫𝐚𝐦 𝐞𝐦 𝐜𝐚𝐬𝐚 𝐧𝐞𝐬𝐬𝐞 𝐝𝐢𝐚 (𝐋𝐮𝐜𝐚𝐬 𝟐𝟑.𝟓𝟒-𝟓𝟔). 𝐌𝐞𝐬𝐦𝐨 𝐚𝐬𝐬𝐢𝐦, 𝐨𝐬 𝐬𝐚𝐜𝐞𝐫𝐝𝐨𝐭𝐞𝐬 𝐝𝐨 𝐭𝐞𝐦𝐩𝐥𝐨 𝐞𝐧𝐯𝐢𝐚𝐫𝐚𝐦 𝐮𝐦 𝐝𝐞𝐬𝐭𝐚𝐜𝐚𝐦𝐞𝐧𝐭𝐨 𝐝𝐞 𝐠𝐮𝐚𝐫𝐝𝐚𝐬 𝐩𝐚𝐫𝐚 𝐯𝐢𝐠𝐢𝐚𝐫 𝐨 𝐭ú𝐦𝐮𝐥𝐨 𝐞 𝐢𝐦𝐩𝐞𝐝𝐢𝐫 𝐪𝐮𝐞 𝐨𝐬 𝐝𝐢𝐬𝐜í𝐩𝐮𝐥𝐨𝐬 𝐫𝐨𝐮𝐛𝐚𝐬𝐬𝐞𝐦 𝐨 𝐜𝐨𝐫𝐩𝐨.
Esse sábado foi um dia de silêncio e espera. Parecia não haver solução mas, no dia seguinte, o maior milagre de todos aconteceu: Você sabe o que aconteceu?

CONSUMMATUM EST/ COMSUMADO ESTÁ



𝑴𝒂𝒊𝒔 𝒕𝒂𝒓𝒅𝒆, 𝒔𝒂𝒃𝒆𝒏𝒅𝒐 𝒆𝒏𝒕ã𝒐 𝒒𝒖𝒆 𝒕𝒖𝒅𝒐 𝒆𝒔𝒕𝒂𝒗𝒂 𝒄𝒐𝒏𝒄𝒍𝒖í𝒅𝒐, 𝒑𝒂𝒓𝒂 𝒒𝒖𝒆 𝒂 𝑬𝒔𝒄𝒓𝒊𝒕𝒖𝒓𝒂 𝒔𝒆 𝒄𝒖𝒎𝒑𝒓𝒊𝒔𝒔𝒆, 𝑱𝒆𝒔𝒖𝒔 𝒅𝒊𝒔𝒔𝒆: "𝑻𝒆𝒏𝒉𝒐 𝒔𝒆𝒅𝒆". 𝑬𝒔𝒕𝒂𝒗𝒂 𝒂𝒍𝒊 𝒖𝒎𝒂 𝒗𝒂𝒔𝒊𝒍𝒉𝒂 𝒄𝒉𝒆𝒊𝒂 𝒅𝒆 𝒗𝒊𝒏𝒂𝒈𝒓𝒆. 𝑬𝒏𝒕ã𝒐 𝒆𝒎𝒃𝒆𝒃𝒆𝒓𝒂𝒎 𝒖𝒎𝒂 𝒆𝒔𝒑𝒐𝒏𝒋𝒂 𝒏𝒆𝒍𝒂, 𝒄𝒐𝒍𝒐𝒄𝒂𝒓𝒂𝒎 𝒂 𝒆𝒔𝒑𝒐𝒏𝒋𝒂 𝒏𝒂 𝒑𝒐𝒏𝒕𝒂 𝒅𝒆 𝒖𝒎 𝒄𝒂𝒏𝒊ç𝒐 𝒅𝒆 𝒉𝒊𝒔𝒔𝒐𝒑𝒐 𝒆 𝒂 𝒆𝒓𝒈𝒖𝒆𝒓𝒂𝒎 𝒂𝒕é 𝒐𝒔 𝒍á𝒃𝒊𝒐𝒔 𝒅𝒆 𝑱𝒆𝒔𝒖𝒔. 𝑻𝒆𝒏𝒅𝒐-𝒐 𝒑𝒓𝒐𝒗𝒂𝒅𝒐, 𝑱𝒆𝒔𝒖𝒔 𝒅𝒊𝒔𝒔𝒆: "𝑬𝒔𝒕á 𝒄𝒐𝒏𝒔𝒖𝒎𝒂𝒅𝒐! " 𝑪𝒐𝒎 𝒊𝒔𝒔𝒐, 𝒄𝒖𝒓𝒗𝒐𝒖 𝒂 𝒄𝒂𝒃𝒆ç𝒂 𝒆 𝒆𝒏𝒕𝒓𝒆𝒈𝒐𝒖 𝒐 𝒆𝒔𝒑í𝒓𝒊𝒕𝒐. (𝑱𝒐ã𝒐 19.28-30)

Jamais deveríamos nutrir a concepção errônea de que foi algo fácil para o Filho de Deus começar essa grande obra de salvação aqui na terra – e principalmente finalizá-la plenamente. Quando Jesus falou sobre o grão de trigo que deve morrer antes de produzir frutos, confessou abertamente: “Agora, está angustiada a minha alma...” (João 12.27). Angustiada, abalada, consternada estava a alma de nosso querido Salvador ao pensar no que iria enfrentar.

Com a morte de nosso Salvador na cruz do Calvário estava cumprida a mais grandiosa missão jamais entregue a alguém. Nosso Senhor morreu como Filho de Deus na cruz, mas como homem legítimo suportou toda a tortura envolvida no cumprimento de Sua incumbência. O tempo passava, hora após hora, e Ele se mantinha firme, padecendo as dores mais cruéis para cumprir a maior e mais difícil tarefa jamais imposta a algum homem sobre esta terra.

Quando Jesus declarou “Está consumado!”, Sua luta tinha chegado ao fim. E você? Sua luta também já terminou? Você também pode exclamar com júbilo “Está consumado!” e refugiar-se no Salvador. Ele sofreu por você, Ele sangrou por você, Ele lutou por você. Nele você encontra a paz. Ele espera por você. Sua obra está consumada! A tarefa está cumprida! A luta já passou! Agora o céu está aberto para cada um de nós!

ECCE HOMO!




     ECCE HOMO! (Eis o homem!) essa expressão que intitula um dos livros, do famoso filósofo alemão Friedrich Nietzsche, é a mesma expressão que encontra-se no Evangelho segundo João 19.5, e a expressão foi usada por Pilatos quando apesentava Jesus à grande multidão. No Livro Ecce Homo Nietz diz:"Não conheço em absoluto o ateísmo como resultado, menos ainda como acontecimento: em mim, ele é óbvio por instinto. Sou muito inquiridor, muito cético, muito altivo para me satisfazer com uma resposta grosseira. Deus é uma resposta grosseira, uma indelicadeza para conosco, pensadores – no fundo, até mesmo uma grosseira proibição para nós: não devem pensar!”,

     Assim, como o filósofo alemão defendia que Deus era uma grosseria, ou melhor, Deus, em sua visão era pouco para sua inteligência, a apresentação de Cristo para muitos ainda parece uma grande grosseria, nesta quinta-feira, para muitos, chamada santa, não veja Cristo como um ato de grosseria a sua mente, ou a um símbolo pascoal, vejo-O como resultado de Deus para a salvação de um mundo grosseiramente perdido!

domingo, 5 de abril de 2020

DOMINGO DE RAMOS?


E muitos estendiam as suas vestes pelo caminho, e outros cortavam ramos das árvores, e os espalhavam pelo caminho. E aqueles que iam adiante, e os que seguiam, clamavam, dizendo: Hosana, bendito o que vem em nome do Senhor; Bendito o reino do nosso pai Davi, que vem em nome do Senhor. Hosana nas alturas. (Marcos 11.8-10)

Em nossas bíblias, no título proposto desse capítulo específico é "𝑨 𝒆𝒏𝒕𝒓𝒂𝒅𝒂 𝒕𝒓𝒊𝒖𝒏𝒇𝒂𝒍 𝒅𝒆 𝑱𝒆𝒔𝒖𝒔", sempre que posso nas oportunidades que tenho, falo a muitos que não sigam esses títulos eles apenas oferecem distrações e preguiça, principalmente para pregadores incipientes. Contudo, esse título me chama muito a atenção, sua clareza em colocar que nosso Salvador entrou de forma vitoriosa, honrosa, como um guerreiro romano ou espartano cheio de seus espólios de guerra. Perdemos a total compreensão de que Cristo adentrou como um cavalariço, alguém com pouca intimidade em cavalgaria, nisso me regozijo, na simplicidade e honestidade nos atos de nosso Senhor e são neles que busco a melhor expressão no Verdadeiro Evangelho. Enquanto muitos gritavam, alguns de forma honesta e outros politizadas, pois criam na dissolução do império romano, Jesus dá a todos aquilo que esperavam, entra em Jerusalém, observa tudo em sua volta e parte para Bethânia.(Mc.11.11)
Usando um termo usual e interneteiro: "𝑨 𝒈𝒂𝒍𝒆𝒓𝒂 𝒇𝒊𝒄𝒐𝒖 𝒅𝒆 𝒄𝒂𝒓𝒂" kkkkkkkkkkkkkkkkkkk coloquei esses "k" pois enquanto escrevo realmente estou em gargalhas, que isso fique bem claro, colocavam os ramos pelo chão, suas vestes e tudo o mais que podiam, criaram um grande evento, na expectativa de que o bom Mestre parasse e evocasse o grito KADIMA!, ou NOBISCUM DEUS!. Não! Jesus em silêncio passou, pois conhecia os corações que ali estavam! Cristo experimentou desconfiança, incredulidade, arrogância, egolatria, hipocrisia...... Todavia, os gritos de Hosana eram efusivos!!! Cristo tem nos chamado a sermos bondosos e perdoadores, mas por mais de vinte séculos, continuamos miseráveis e incorrigíveis, temos continuado sem misericórdia, cheios de violência e ódio. Religiosos e ateus, igualmente, têm vivido e governado de modo não-cristão e considerando tudo agora, nunca estivemos em pior situação.
A entrada triunfal de Cristo precisa acontecer em nossos corações, cheia de misericórdia, amor, honestidade, simplicidade,fé.... Quem não permite sempre ficará abanando ramos, jogando roupas pelo chão, gritando Hosana e no fim ficarão de cara! 𝑵ã𝒐 𝒇𝒊𝒒𝒖𝒆 𝒅𝒆 𝒄𝒂𝒓𝒂, 𝒔𝒆𝒋𝒂 𝒐 𝒄𝒂𝒓𝒂!

sábado, 21 de março de 2020

A BONDADE DE DEUS


A bondade de Deus foi mais ilustremente visível quando Ele enviou o Seu Filho, "... nascido de mulher, nascido sob a lei, para remir os que estavam debaixo da lei, a fim de recebermos a adoção de filhos" (Gaiatas 4:4-5). Foi então que uma multidão dos exércitos celestiais louvou seu Criador e disse: "Glória a Deus nas alturas, paz na terra, boa vontade para com os homens" (Lucas 2:14). Sim, no evangelho “a graça (em grego, a benevolência ou bondade) de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens” (Tito 2:11). Não se pode pôr em dúvida a benignidade de Deus pelo fato de não ter feito Ele a todas as criaturas pecadoras objetos da Sua graça redentora. Não o fez com os anjos decaídos. Se Ele tivesse deixado que todos perecessem, não haveria censura à Sua bondade, A quem quer que desafiasse esta afirmação faríamos lembrar a soberana prerrogativa de nosso Senhor: "Ou não me é lícito fazer o que quiser do que é meu? Ou é mau o teu olho porque eu sou bom?" (Mateus 20:15).

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

AS EXIGÊNCIAS DE DEUS



"Sabei que o Senhor é Deus: foi ele, e não nós, que nos fez povo seu e ovelhas do seu pasto. Entrai pelas portas dele com louvor, e em seus átrios com hinos; louvai-o e bendizei o seu nome. Porque o Senhor é bom, e eterna a sua misericórdia; e a sua verdade estende-se de geração a geração."
(Salmos 100.3-5)

E um truque de satanás tirar nossas mentes das questões mais importantes e essenciais, distraindo-nos com a sugestão de considerações triviais. Quando as melhores bênçãos estão solicitando que as aceitemos, ele trará às nossas mentes as coisas mais insignificantes. Quando Jesus pregava, o diabo tentava distrair a atenção humana através de debates sobre dizimar a hortelã, o endro e o cominho, alargar as franjas dos vestidos, usar filactérios, coar mosquitos, e não sei o que mais. Satanás empregou esse método junto ao poço de Jacó. Quando o nosso Senhor falou com a mulher sobre a água viva, e a salvação de sua alma, o maligno a impeliu a perguntar sobre Gerizim e Sião: "Nossos pais adoraram neste monte, e vós dizeis que é em Jerusalém o lugar onde se deve orar".
Satanás ainda opera com essa mesma astúcia. Conhecendo as sutilezas do inimigo, é nossa responsabilidade superá-lo, deixando de lado as questões triviais e concentrando-nos nas verdades fundamentais, as pedras principais da fé, as realidades da vida eterna, a vitalidade da santidade; e essas nos levam a Deus e a Cristo, longe da sombra de cerimônias e das nuvens de vãs especulações, na direção da rocha eterna e das colinas eternas cujos topos são, aos olhos da fé, resplandecidos com a aurora. Corramos para lá, afastemo-nos das vaidades terrenas, e que o sopro do Espírito nos apresse em direção às realidades do céu, para que demos às coisas essenciais a atenção que lhes é devida.
Para o que, então, fomos criados? Não conheço melhor resposta do que a do Pequeno Catecismo: "O fim principal do homem é glorificar a Deus, e gozá-10 para sempre" (deleitar-se com Ele). Há grande quantidade de teologia e filosofia nessa simples resposta, que nossos velhos sábios têm colocado na boca de crianças. Se o homem tivesse permanecido como Deus o fez, teria sido seu grande prazer glorificar a Deus; fazer a vontade de Deus seria tão natural para nós quanto respirar, se não tivéssemos caído da perfeição original. As criaturas que permanecem como Deus as fez obedecem à Sua vontade - inconscientemente, eu diria, mas onde há consciência um supremo prazer é acrescentado, o qual torna a consciência e a boa vontade em maiores bênçãos.
Vejam os planetas - eles não são teimosos; ao contrário, giram alegremente nas suas trajetórias predestinadas, porque Deus os ordena a manterem-se nos seus cursos estabelecidos. Olhem as estrelas vigilantes: não fecham seus olhos brilhantes, porém sorriem sobre nós de era em era; aquelas sentinelas do céu não extinguem suas luzes, mas continuam brilhando ininterruptamente, porque Deus disse: "Haja luz", e delas a luz há de vir. Não ouvimos falar de rebelião entre os corpos celestes ou de revolta contra a lei que os mantém nos seus cursos celestiais.
E onde há inteligência, contanto que a inteligência permaneça conforme Deus a tem feito, não há revolta contra a Sua vontade. O poderoso anjo conta como honra voar igual a um relâmpago à ordem do Eterno. Não rebaixa a sua dignidade, não diminui o seu prazer, cumprir as ordens do Altíssimo, respondendo à voz de Sua palavra. Se fôssemos hoje aquilo que deveríamos ser, seria nosso prazer amar, servir e adorar a nosso Deus, e não necessitaríamos de pastores para mover-nos à nossa obrigação prazerosa ou para lembrar-nos das reivindicações de Jeová. Até mesmo a augusta linguagem do nosso texto não seria necessária para nos exortar a adorar, a nos curvar e a saber que Jeová é Deus. Ele nos tem feito, e não nós mesmos, portanto devemos exibir essa verdade em toda partícula do nosso ser. Devido as coisas serem como são, no entanto, precisamos ser chamados de volta ao dever e impelidos à obediência, e agora, com a ajuda do bom Espírito de Deus, submeteremos nossos corações a tal chamado.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

MINISTÉRIO PASTORAL


Em combinação com o desejo ardente de ser pastor, é preciso que haja aptidão para ensinar e certa medida das outras qualidades ne­cessárias ao ofício de instrutor público. Para provar sua vocação o homem precisa testá-la com êxito. Não pre­tendo que na primeira vez que um homem se levantar para falar, pregue tão bem como Robert Hall em seus últimos tempos. Se a sua pregação não for pior do que o grande homem fez no início da sua carreira, não deve ser condenado. Vocês sabem que Robert Hall fracassou completamente três vezes, e clamava: "Se isto não me humilhar, nada mais me humilhará". Al­guns dos mais nobres oradores não foram dos mais fluentes nos seus primeiros tempos. Mesmo Cícero no início padecia de voz fraca e dificuldade de elocu­ção. Contudo, ninguém deve considerar-se chamado para pregar enquanto não provar que pode falar em público. Claro que Deus não criou o hipopótamo para voar, e se o leviatã tivesse forte desejo de subir aos ares com a calhandra, evidentemente seria uma aspi­ração insensata, visto que não é dotado de asas. Se um homem for vocacionado para pregar, será dotado de capacidade em algum grau para falar, capacidade que ele cultivará e desenvolverá. Se o dom de elocução não existir no início em alguma medida, não é pro­vável que venha a desenvolver-se.
Ouvi falar de um cavalheiro que tinha o mais intenso desejo de pregar, e tanto insistiu com o seu pastor que, depois de múltiplas recusas, conseguiu licença para pregar um sermão de prova. Essa oportunidade foi o fim da sua importunação, pois, depois de anunciar o texto, viu-se privado de todas as idéias menos uma, que ele transmitiu sentidamente, e em seguida desceu da tribuna: "Meus irmãos", disse ele, "se algum de vocês pensa que é fácil pregar, acon­selho-o a vir até aqui para perder toda a vaidade."
A prova a que submetam as suas capacidades revelará a sua deficiência, se vocês não tiverem a aptidão necessária. Não conheço nada melhor. Devemos dar-nos a nós próprios uma boa prova nesta ques­tão, ou não poderemos saber com certeza se Deus nos chamou ou não; e durante a prova, devemos pergun­tar-nos a nós mesmos muitas vezes se, de modo geral, podemos alimentar a esperança de edificar outros com os nossos discursos.
Contudo, devemos fazer mais do que submeter isso à nossa consciência e ao nosso julgamento, pois somos juízes ineptos. Certa classe de irmãos tem gran­de facilidade para descobrir que tem sido maravilhosa e divinamente auxiliada em suas declamações. Eu inve­jaria a gloriosa liberdade e a confiança própria desses irmãos, se houvesse algum fundamento para isso. Pois, lastimavelmente, com muita freqüência tenho que de­plorar e lamentar minha falta de sucesso e meus fias­cos como orador. Não devemos confiar muito em nossa própria opinião, mas se pode aprender muito de pes­soas judiciosas e de índole espiritual. De modo ne­nhum é isto uma lei que deva obrigar a todas as pes­soas, mas ainda assim é um bom e antigo costume em muitas das nossas igrejas rurais, o jovem que aspira ao ministério pregar perante a igreja. Dificilmente é um ensaio agradável ao jovem aspirante, e, em muitos casos, mal chega a ser um exercício edificante para o povo; todavia, pode dar provas de que é um recurso disciplinar dos mais salutares, e poupa a exposição pública da ignorância excessiva. O livro de atas da igreja de Arnsby contém o seguinte registro:
 Breve relato do chamamento de Robert Hall Jú­nior para a obra do ministério, pela Igreja de Arnsby, 13 de agosto de 1780.
"O referido Robert Hall nasceu em Arnsby em 2 de maio de 1764; desde pequeno foi, não somente sério e dado à oração em secreto antes mesmo de poder falar com clareza, mas também foi sempre totalmente inclinado à obra do ministério.
Começou a compor hinos antes de completar sete anos de idade, e neles revelou sinais de piedade, de pensamento pro­fundo e de gênio. Entre oito e nove anos fez vários hinos, que foram admirados por muitos, um dos quais foi publicado na Revista do Evangelho (Gospel Magazine) aproximadamente na mesma época. Escreveu expondo os seus pensamentos sobre vários assuntos religiosos e sobre porções seletas da Escri­tura. Tinha também intensa propensão para os'estudos, e fez tanto progresso, que o mestre-escola provinciano de quem ele era aluno não pôde instruí-lo mais. Então foi enviado à escola--internato de Northampton, ficando aos cuidados do Rev. John Ryland, onde passou cerca de um ano e meio, e alcançou grande progresso em latim e grego. Em outubro de 1778, foi para a Academia de Bristol, sob os cuidados do Rev. Evans; e, em 13 de agosto de 1780, foi comissionado ao ministério por esta igreja, estando ele com dezesseis anos e três meses de idade. A maneira pela qual a igreja chegou a ficar satisfeita com a capacidade dele para a grande obra foi por ter ele pregado, quando lhe tocou a vez, nas reuniões de conferências, sobre várias porções da Escritura; nas quais, e na oração, havia participado por quase quatro anos antes; e, quando em casa, tendo pregado a pedido dos irmãos muitas vezes nas manhãs do dia do Senhor, para grande satisfação deles. Portanto, eles pediram calorosamente e unânimes que ele fosse solenemente separado para o serviço da comunidade. Com efeito, no dia acima referido, ele foi examinado por seu pai perante a igreja quanto à sua inclinação, seus motivos e seus fins em vista, com referência ao ministério, sendo-lhe mostrado igualmente o desejo de que ele fizesse uma declaração dos seus senti­mentos religiosos. Tendo-se feito tudo, para inteira satisfação da igreja, consagraram-no, pois, levantando as mãos direitas e com oração solene. Depois o seu pai fez-lhe um discurso baseado em 2 Tm. 2:1: "Tu, pois, meu filho, fortifica-te na graça que há em Cristo Jesus". Sendo-lhe assim confiada a obra ministerial, pregou de tarde sobre 2 Ts. 1:7-8. "Que o Senhor o abençoe e lhe conceda grande sucesso!"
Considerável importância deve ser dada ao jul­gamento feito por homens e mulheres que vivem perto de Deus, e, na maioria dos casos, o seu veredicto não será errôneo. Contudo, este recurso não é final nem infalível, e deve ser avaliado somente em proporção à inteligência e à piedade das pessoas consultadas. Lembro-me bem do empenho com que uma piedosa matrona cristã me dissuadiu de pregar. Esforcei-me para avaliar a impotância da opinião dela com sim­plicidade e paciência — opinião essa sobrepujada, po­rém, pelo julgamento emitido por pessoas de maior experiência. Os jovens em dúvida devem fazer-se acompanhar dos seus mais sábios amigos quando vão à igreja rural ou ao salão de cultos da vila e tentam transmitir a Palavra. Já notei — e o meu amigo Rogers observou a mesma coisa — que vocês, cavalheiros, es­tudantes, como corpo estudantil, no julgamento que fazem uns dos outros raramente erram, se é que erram alguma vez. Raramente houve um caso, tomada a ins­tituição de modo global, em que a opinião geral da escola toda sobre um irmão foi errada. Os homens não são tão incapazes de formar opinião uns dos outros, como às vezes se pensa. Reunindo-se como o fazem em classe, nas reuniões de oração, nas conversas e nas vá­rias atividades religiosas, vocês se avaliam uns aos outros; e o prudente não se apressará a desprezar o veredicto da casa.
Este ponto não estará completo se eu não acres­centar que a simples capacidade para edificar e a aptidão para ensinar não bastam. São necessários outros talentos para completar a personalidade do pastor. Cri­tério sadio e sólida experiência devem instruí-lo; ma­neiras gentis e qualidades amáveis devem governá-lo; firmeza e coragem devem ser manifestas; e não devem faltar ternura e simpatia. Os dons administrativos para governar bem são condições tão necessárias como os dons instrutivos, para ensinar bem. Vocês devem ser aptos para dirigir, devem estar preparados para agüen­tar, e devem ser capazes de perseverar. Quanto à gra­ça, vocês devem estar cabeça e ombros acima do res­tante do povo, capazes de ser seu pai e seu conselheiro. Leiam cuidadosamente as qualificações do bispo, re­gistradas em 1 Tm. 3:2-7 e Tt. 1:6-9. Se esses dons e graças não estiverem em vocês, e com abundância, é possível que tenham bom êxito como evangelistas, mas como pastores não terão nenhum valor.

Tito 3 - Análise Teológica Exegética e Contemporânea

  Deus nos salva por sua misericórdia e nos transforma em um povo dedicado ao bem. Essa é a ideia central de Tito 3, que reúne doutrina da s...